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Archive for the ‘PN na mídia’ Category

Mercado em processo de consolidação

21 de março de 2014 2 comentários

Se respeitada a produção nacional, união da Companhia das Letras com a Objetiva pode trazer consequências benéficas

Carlo Carrenho
Especial para o Estado

O mercado editorial brasileiro foi surpreendido na última quarta-feira pela união da Companhia das Letras com a Objetiva, consequência direta da aquisição de todos os selos literários da espanhola Santillana pela Penguin Random House (PRH), o maior grupo editorial do planeta. Comoa PRH é dona de45% da Companhia e a Santillana tinha 76% da Objetiva, era natural que as empresas se unissem, e isso aconteceu sob o guarda-chuva da recém-criada Penguin Random House Brasil. Mas quais são as consequências dessa união para o mercado e para os leitores?

Para os leitores, ainda é um pouco cedo para dizer. As duas empresas já declararam que selos e catálogos seguem independentes. E isso é bastante normal no caso de fusões e aquisições de sucesso. O contrário, quando selos adquiridos são abandonados ou fechados, sempre traz péssimos resultados. Ainda assim, o novo grupo pode optar por lançar menos livros do que as duas editoras de forma independente. Só o tempo dirá.

Em momentos de entrada ou ampliação da participação de grupos estrangeiros no Brasil, algo que causa arrepios em muitos escritores e aficionados da literatura brasileira é a possibilidade de se publicar mais autores estrangeiros em detrimento dos autores acionais.Não acredito nesta possibilidade na Penguin Random House Brasil e não foi o que aconteceu na Companhia das Letras desde a chegada da Penguin. Na realidade, os grandes grupos estrangeiros são empresas que buscam maximizar vendas e lucro e, nesse sentido, terão tanto interesse em publicar seus best-sellers no Brasil quanto em publicar e desenvolver autores brasileiros de sucesso e até traduzi-los na América Latina e no resto do mundo. Nenhum grupo editorial internacional compraria editoras com habilidade de descobrir e publicar autores nacionais, como a Objetiva e a Companhia, para transformá-las em uma fábrica de tradução.

Mas se a bibliodiversidade não está ameaçada por esses motivos, está por outros. A união entre Companhia e Objetiva é mais um passo em um longo processo de consolidação do mercado, que reflete uma tendência mundial. E quanto maior a concentração, menor o espaço das editoras médias e pequenas, que garantem a diversidade do mercado editorial. O risco então para o leitor está na diminuição das chances de sobrevivência de editoras de menor porte.

O mercado de livros no Brasil, no entanto, está longe de uma grande concentração. Enquanto no mundo anglófilo há cinco grandes grupos e o mundo hispânico tem agora apenas duas grandes casas, o mercado brasileiro ainda  é fragmentado. Companhia e Objetiva somadas responderam por apenas 6% das vendas em livrarias nos dois primeiros meses de 2014, segundo a Nielsen. E ainda que se considere apenas o mercado de livros de interesse geral, a concentração não é alta.

Mas essa fragmentação não é sustentável a longo prazo. E a união entre Companhia e Objetiva pode ser um catalisador deste processo. Há agora dois grupos consolidados fortes no mercado de livros brasileiro: a Penguin Random House Brasil e o grupo Sextante-Intrínseca (a primeira é dona de 50% da segunda). Diante deste cenário, editoras como Ediouro, Rocco e Record devem buscar oportunidades de fusão e aquisição para garantir sua participação neste mercado já mais consolidado.

Do lado dos estrangeiros ,o desafio é o mesmo. Os grupos internacionais, particularmente os de forte atuação no mercado anglófilo, vão passar as próximas semanas reavaliando seus planos para o mercado brasileiro. Se eles não se mexerem rapidamente e buscarem uma entrada no Brasil, correrão o risco de verem a Penguin Random House nadar de braçada no nono maior mercado editorial do mundo.

E se de um lado a bibliodiversidade sai perdendo, por outro, há vantagens com a consolidação e com a chegada de grupos estrangeiros. O fato é que a cadeia do livro no Brasil ainda é bastante amadora e tem forte presença de empresas familiares – isto vale para editoras, distribuidoras e livrarias. Ainda estamos a anos- luz do profissionalismo visto nos mercados de países como EUA e Alemanha. O caminho logístico e comercial do livro desde o autor até o leitor no Brasil ainda é repleto de ineficiências que causam perdas e prejudicam a todos, incluindo o leitor. Este, por exemplo, acaba pagando mais caro pelo livro e tem imensa dificuldade de encontrá-lo.

A entrada de grandes grupos estrangeiros no Brasil pode ajudar a resolver esses problemas, com o aumento do profissionalismo das editoras e a instauração de melhores práticas de mercado. Mas para que isso aconteça, é preciso que as editoras brasileiras reconheçam suas fraquezas e que os grupos internacionais saibam respeitar o conhecimento  local. E é o que a Companhia e a Penguin vêm fazendo desde 2011. Mantido este espírito na nova Penguin Random House Brasil, o mercado e mesmo os leitores terão muito a ganhar– a concorrência e a bibliodiversidade que se cuidem.

Carlo Carrenho é consultor editorial
e fundador do PublishNews,
boletim de notícias do mercado editorial.

[Artigo publicado originalmente na edição de 21/3/2014 de O Estado de S.Paulo.]

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A lista de mais vendidos de 2012

7 de janeiro de 2013 Deixe um comentário

Na última semana de 2012, publicamos nossa lista anual de livros mais vendidos. Como começamos a fazer a lista em setembro de 2010, o ano passado foi o segundo ano completo de nossas estatísticas semanais. Vale a pena, portanto, uma análise mais profunda da lista de 2012. Aliás, vale aqui lembrar que a Folha de S.Paulo publicou logo no dia 3/1 uma matéria sobre a presença de autores brasileiros nas listas de ficção e não-ficção totalmente baseada na lista do PublishNews. E, segundo o maior jornal brasileiro, “a aferição feita pelo PublishNews é considerada hoje pelas editoras a mais confiável do país”.

Em primeiro lugar, vamos aos campeões de cada categoria em 2012:

  • Ficção: Cinquenta tons de cinza, E. L. James, Intrínseca
  • Não-ficção: Nada a perder, Edir Macedo, Planeta
  • Infanto-juvenil: Agapinho, Padre Marcelo, Globo
  • Autoajuda: Nietzsche para estressados, Allan Percy, Sextante
  • Negócios: O monge e o executivo, James Hunter, Sextante

O campeão da lista geral foi o best-seller mundial Cinquenta tons de cinza, seguido pelo segundo volume da série, Cinquenta tons mais escuros, e pela autobiografia de Edir Macedo, Nada a perder, que evitou um pódio completamente erótico ao empurrar o terceiro livro da coleção, Cinquenta tons de liberdade, para a quarta posição.

O ranking geral de editoras também traz alguns dados interessantes. O ranking baseia-se no total de títulos diferentes que as editoras tenham conseguido emplacar nas 52 listas semanais do ano, não importando o tempo de permanência dos mesmos. O ranking de 2012 ficou assim:

  1. Sextante, 64
  2. Record, 42
  3. Companhia das Letras, 30
  4. Intrínseca, 29
  5. Novo Conceito, 28
  6. LeYa, 27
  7. Ediouro, 25
  8. Santillana, 22
  9. Gente, 20
  10. Planeta, 18 | Saraiva, 18

Em comparação com 2011, a primeira e a segunda colocação se mantiveram, embora o número de livros emplacados tenha caído. No ano passado, a Sextante garantiu seu primeiro lugar com 73 títulos na lista, e a Record emplacou 59. Já nas demais posições houve mudanças. Ediouro e Companhia das Letras, por exemplo, trocaram posições. Se em 2011 a editora paulista ocupava a sétima posição, em 2012 ela chegou a um significativo terceiro lugar, em parte graças ao novo selo Paralela, que emplacou sozinho sete livros na lista. A Ediouro, por sua vez, apresentou uma forte de queda de livros na lista, saindo dos 44 emplacados em 2011 para apenas 25 este ano. Com isto, caiu da terceira para a sétima colocação.

Enquanto a Intrínseca manteve sua quarta posição com uma queda sutil no número de livros colocados na lista semanal, de 31 em 2011 para 29 em 2012, a Novo Conceito apresentou uma explosão no número de títulos que apareceram nas listas de semanais de 2012. Se em 2011, a editora ribeiropretana emplacou 13 títulos que lhe garantiram uma 12ª posição compartilhada no ranking anual, neste ano a empresa emplacou 28 títulos e subiu à quinta posição isolada.

Ainda merecem destaque a LeYa que, na sexta posição, também subiu dois degraus em relação ao ranking de 2011 quando emplacou apenas 21 livros; e a Santillana, grupo da Objetiva, que caiu da quinta para a oitava posição ao emplacar quatro livros a menos nas listas semanais de 2012.

No total, 523 títulos de 81 editoras ou grupos editoriais apareceram pelo menos um vez nas listas semanais de mais vendidos em 2012.

Voltando a lista de mais vendidos geral, se compararmos 2012 com 2011, veremos que o total de exemplares vendidos nas redes apuradas pelo PublishNews dos livros top 20 no ano passado foi 31% superior em relação ao ano anterior. Em 2011, o total de venda dos 20 maiores best-sellers foi de 1.935.868 exemplares contra 2.536.213 em 2012. Já o primeiro colocado de 2012, Cinquenta tons de cinza, superou a marca de exemplares vendidos do campeão de 2011. O megaseller Ágape vendeu nas 12 redes de livrarias apuradas 518.084 exemplares no ano retrasado, enquanto o atual megaseller erótico alcançou a marca de 583.768 exemplares no ano passado. Mas um detalhe: a marca de Ágape foi obtida ao longo dos 12 meses de 2011, enquanto Cinquenta tons de cinza foi lançado em agosto e teve apenas cinco meses para obter sua marca.

Como sempre se discute no mercado em qual lista é mais fácil emplacar um lançamento, é interessante observar o gráfico e abaixo. Ele traz uma curva para cada lista, apresentando os números apurados no ano para cada uma das 20 posições. É claro neste gráfico que a lista de ficção é a mais difícil para se emplacar livros, seguida pela de não-ficção e pela infanto-juvenil e, logo depois, das listas de autoajuda e de negócios. Vale notar, ainda, que a partir da sexta posição do ranking, as distâncias entre as curvas tende a diminuir bastante.

grafico

Português Público ouve PublishNews

3 de novembro de 2012 Deixe um comentário

Na última terça-feira, 30 de outubro, o jornal portugês Público publicou a matéria “Penguin+Random House = o maior grupo editorial do mundo”, assinada pela excelente jornalista Isabel Coutinho. Na matéria, pude, em nome do PublishNews, dar meus pitacos sobre a questão. Clique na imagem abaixo para baixar a matéria em PDF.

Clique aqui para baixar o PDF da matéria

PublishNews no Jornal da Record

28 de outubro de 2012 Deixe um comentário

O Jornal da Record da última sexta-feira, em reportagem sobre o livro Nada a Perder, biografia de Edir Macedo, chamou o PublishNews de maior referência do setor editorial. Wow! Obrigado pela parte que nos toca!

É possível conferir o video da matéria aqui.

Zero Hora menciona PublishNews

O melhor tipo de reconhecimento é aquele que vem dos próprios pares, de pessoas de formação e atuação semelhante à sua. Por isso, é sempre motivo de orgulho quando o PublishNews aparece em jornais e revistas, citado por colegas da mídia. E, nesta segunda-feira, aconteceu de novo. O jornal gaúcho Zero Hora, em uma matéria sobre o clássico o Pequeno Príncipe, me entrevistou como fundador do PublishNews para eu comentar sobre as vendas deste megabest-seller. A matéria “O Clássico O Pequeno Príncipe resiste entre os mais vendidos” foi escrita pelo jornalista Gustavo Brigatti e pode ser acessada gratuitamente. Bas clicar no link. Aproveitem para divulgá-la nas redes sociais!

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