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Archive for the ‘Pesquisas’ Category

A evolução do mercado editorial de 2004 a 2013

22 de julho de 2014 Deixe um comentário


Dados baseados nas pesquisas anuais de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro (CBL | SNEL)

 

 

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Categorias:Análise, Pesquisas

The Brazilian Bestsellers

22 de outubro de 2012 1 comentário

Na última Feira de Frankfurt, fiz uma apresentação no estande brasileiro sobre os bestsellers brasileiros – ou seja, fui falar de padre! A palestra foi filmada e pode ser vista abaixo:

 

 

Já a apresentação em power point está disponível aqui:

 

Brasil fica em 9º lugar em ranking global de mercados editoriais

8 de outubro de 2012 6 comentários

O esforço do consultor Rüdiger Wischenbart para mapear as indústrias livro do mundo todo começou em 2011 provavelmente em seu escritório no bairro de Josefstad, em Viena, ou mais possivelmente em um dos cafés que fazem parte do cotidiano de qualquer cidadão austríaco. O projeto é patrocinado pela International Publishers Association (IPA), com apoio da Feira do Livro de Londres e da BookExpo America, mas a metodologia e pesquisa ficam por conta do consultor conterrâneo de Mozart.

Os resultados iniciais da pesquisa começaram a aparecer no primeiro semestre deste ano, na Feira de Londres e na BookExpo America, quando um ranking preliminar dos mercados por país foi apresentado. Trata-se, no entanto, de um trabalho ainda em desenvolvimento e, agora, na Feira de Frankfurt, que começa na próxima quarta-feira (10/10), a IPA divulga um ranking atualizado e mais completo, acompanhado de um mapa mundi que reflete o potencial da indústria editorial de cada país – o Global Map of Publishing Markets 2012 ou Mapa Global de Mercados Editoriais 2012, em bom português.


O ranking atualizado

 

Ranking País Faturamento das editoras em milhões de euros Valor de mercado em valores ao consumidor Novos títulos e reedições por milhão de habitantes
1 Estados Unidos 21.500 € 31.000 € 1080
2 China 10.602 € 245
3 Alemanha  6.350 € 9.734 € 1172
4 Japão 7.129 €
5 França 2.804 € 4.587 € 1242
6 Reino Unido 3.738 € 4.080 € 2459
7 Itália 1.900 € 3.417 € 956
8 Espanha 1.820 € 2.890 € 1692
9 Brasil 2.027 € 2.546 € 285
10 Índia 1.675 € 2.500 €
11 Canadá 1.535 € 2.342 €
12 Coréia do Sul 1.408 € 2.013 € 849
13 Rússia 1.875 €
14 Austrália 1.520 € 877
15 Turquia 1.150 € 474
16 Holanda 1.126 € 1412
17 Polônia 697 € 1.123 € 775
18 Bélgica 519 € 850 €
19 Noruega 304 € 808 € 9227
20 Suíça 806 €
MUNDO   105.614 €  

 

Como se pode ver, o Brasil ocupa uma honrosa 9ª posição com um valor de mercado ao consumidor final estimado em 2,54 bilhões de euros. Atrás da Espanha e à frente da Índia, o mercado brasileiro aparece consolidado como o maior da América Latina. Uma observação importante é que dada a forte participação do governo brasileiro no faturamento das editoras – em 2011 ela ficou em 28,7% –, o valor do mercado em preços ao consumidor fica subdimensionado se comparado com outros países onde a participação do governo é menor e a participação de toda a cadeia do livro na venda de livros didáticos torna os preços ao consumidor maiores. Neste estudo, nas vendas governamentais, o preço ao consumidor é igual ao faturamento das editoras, gerando, portanto, um valor de mercado relativamente menor. Se a participação do governo fosse ponderada no cálculo, o Brasil com certeza ganharia algumas posições.

Do ponto de vista negativo, chama a atenção o baixo índice de novos títulos e reedições por milhão de habitantes, que ficou em 285 e à frente apenas da China (245) entre os países onde tais dados estavam disponíveis.


O Mapa Global de Mercados Editoriais

 

The Global Map of Publishing Markets 2012

Este mapa mundi baseia-se em pesquisa do consultor Rüdiger Wischenbart e reflete o valor do mercado editorial ao preço do consumidor para cada país do mundo.

 

Para a elaboração do Global Map of Publishing Markets, foram necessários dados muito mais globais e de muito mais países do que os pesquisados para o ranking, e isto exigiu um trabalho em três passos. O primeiro deles foi coletar a maior quantidade possível de dados das melhores fontes disponíveis para a criação de um banco de dados com três indicadores primários: o faturamento líquido das editoras, o valor de mercado em preços ao consumidor e o número de novos títulos lançados e reedições. Estes dados basearam-se fortemente em associações nacionais de editores e correlatos. Para a maioria dos países, no entanto, somente o faturamento das editoras ou o valor de mercado estavam disponíveis.

O segundo passo foi pedir para que profissionais da indústria local fizessem uma análise crítica dos resultados iniciais obtidos. Neste momento, o corpo de dados também ganhou massa principalmente devido à inclusão de estatísticas de exportação dos maiores mercados exportadores (Reino Unido, EUA, França e Espanha), que serviram como ponto de referência para comparação.

O terceiro passo foi explorar o contexto da indústria editorial local, já que observou-se que os mercados editoriais refletem os parâmetros socioeconômicos de cada país e podem ser correlacionados de forma significante com o tamanho da população e a renda per capita. Isto permitiu que Wischenbart e sua equipe desenvolvessem um algoritmo ainda experimental para estimar sistematicamente o tamanho de mercados editoriais que não possuem dados disponíveis. As estimativas foram então cruzadas com os números de países com dados confiáveis e com as avaliações de profissionais locais.

Para a criação gráfica do mapa, utilizou-se a ferramenta Worldmapper a partir dos valores obtidos ou estimados.

Diga-me o que consegues ler e saberei o que publicar

19 de julho de 2012 8 comentários

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil possuía 14,1 milhões de analfabetos maiores de 15 anos em 2009, ou 9,7% desta população. Os dados foram publicados em 2010 na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e referem-se ao ano anterior. O número vem diminuindo timidamente. Era 11,5% em 2004, por exemplo. E, considerada a história social no Brasil, a taxa de analfabetismo nacional até surpreende de maneira positiva. Mas como o mercado editorial deve interpretar e analisar tais dados? Se 9,7% são analfabetos, isto quer dizer que o mercado potencial de compradores de livros é 90,3% da população acima de 15 anos? Infelizmente, ainda estamos longe disso, como mostra a pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), cuja edição de 2011 acaba de ser publicada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa.

A importante iniciativa completou 10 anos, e agora é possível uma visão panorâmica da década que vai entre 2001 e 2011. O grande diferencial do Inaf é que ele divide o analfabetismo em 4 níveis, sendo 3 referentes ao gurpo chamado de alfabetizados pelo IBGE. Vamos a eles:

Analfabetismo: corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases.

Nível rudimentar: corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como, por exemplo, um anúncio ou pequena carta).

Nível básico: as pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já leem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações.

Nível pleno: classificadas neste nível estão as pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais: leem textos mais longos, analisando e relacionando suas partes, comparam e avaliam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses.

Baseado nestes níveis, o Inaf demonstra que durante os últimos 10 anos houve uma redução do analfabetismo absoluto e da alfabetização rudimentar, assim como um incremento do nível básico de habilidades de leitura e escrita. No entanto, a proporção dos que atingem um nível pleno de habilidades manteve-se praticamente inalterada, em torno de 26%, como mostra a tabela abaixo:

INAF BRASIL 2001 a 2011

Evolução do Indicador de alfabetismo da pop. de 15 a 64 anos (2001 a 2011)

Níveis

2001
2002

2002
2003

2003
2004

2004
2005

2007

2009

2011

Analfabeto

12%

13%

12%

11%

9%

7%

6%

Rudimentar

27%

26%

26%

26%

25%

20%

21%

Básico

34%

36%

37%

38%

38%

46%

47%

Pleno

26%

25%

25%

26%

28%

27%

26%

Analf. e Rud.

Analfabetos funcionais

39%

39%

38%

37%

34%

27%

27%

Básico e Pleno

Alfabetizados funcionalmente

61%

61%

62%

63%

66%

73%

73%

base

2002

2002

2002

2002

2002

2002

2002

Obs.: Os resultados até 2005 são apresentados por meio de médias móveis de dois em dois anos de modo a possibilitar a comparabilidade com as edições realizadas nos anos seguintes.

Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, avalia a situação: “Apesar dos avanços, tornam-se cada vez mais agudas as dificuldades para fazer com que os brasileiros atinjam patamares superiores de alfabetismo. Este parece um dos grandes desafios brasileiros para a próxima década. Os dados reforçam a necessidade de investimento na qualidade, uma vez que o aumento da escolarização não foi suficiente para assegurar o pleno domínio de habilidades de alfabetismo: o nível pleno permaneceu estagnado ao longo de uma década nos diferentes grupos demográficos”.

Para aqueles que escolheram o difícil mas apaixonante ofício de produzir ou vender livros, o mercado potencial é justamente o grupo chamado na tabela de Alfabetizados Funcionalmente, que engloba os níveis Básico e Pleno, e que vem crescendo de forma satisfatória ao longo da última década. Basta observar que em 2001 o índice estava na casa dos 61% contra 39% de analfabetos funcionais, enquanto que no ano passado alcançamos 73% de alfabetizados funcionalmente contra 27% de analfabetos funcionais.

Mas o que mais interessa ao mercado do livro – e aos editores particularmente – é justamente a divisão dos alfabetizados nos níveis Básico e Pleno. Afinal, o segundo engloba aqueles que leitores que potencialmente poderiam adquirir e ler qualquer tipo de livro, mesmo um Dostoiévski ou um Nieztche. Já no nível básico, encontram-se pessoas que conseguem ler um livro, mas teriam sérias dificuldades com textos mais longos e complexos, que exigem grande capacidade de abstração ou elaboração intelectual. Ou seja, são aqueles leitores que nunca lerão os clássicos da filosofia e livros de não-ficção com profundidade analítica ou de conteúdo, mas compraram 8 milhões de exemplares de Ágape, do padre Marcelo, ou choram nas páginas dos livros de Nicholas Sparks.

E esta divisão entre básico e pleno torna-se ainda mais importante na medida que o primeiro grupo vem crescendo substancialmente, partindo de 34% em 2001 para chegar a 2011 com 47%. No mesmo período, o nível pleno manteve-se em 26%. Hoje, portanto 64% dos alfabetizados funcionalmente encontram-se ainda no nível básico e apenas 36% estão no nível pleno. Podemos não gostar da realidade, mas ela está muito clara nos números do Inaf: a maior parte do nosso mercado não tem capacidade para ler os livros resenhados em cadernos e revistas literários, mas leem, se educam, curtem e se emocionam com livros de conteúdo mais simples e de compreensão mais fácil.

Portanto, editores do Brasil, ao decidirmos o que publicar ou em que livro apostar, temos que considerar não só as recentes mudanças socioeconômicas que mostram uma classe C majoritária com 55,8% da população brasileira, conforme pesquisa do Centro de Políticas Sociais da FGV-Rio. Temos que também levar em conta a capacidade de leitura do nosso mercado e a dificuldade da grande maioria dos alfabetizados funcionalmente de ler obras mais complexas e intelectuais.

O Inaf está disponível para download e traz muitos outros dados não abordados aqui, especialmente análises específicas de segmentos populacionais por classe social, região e sexo. Vale a leitura.

Categorias:Análise, Pesquisas

Uma análise dos dados da GfK

15 de junho de 2012 4 comentários

A GfK, codinome da Gesellschaft für Konsumforschung, é a maior empresa de pesquisas de mercado da Alemanha que começou a atuar este ano no mercado editorial brasileiro. Na manhã de 14/6, a empresa organizou um evento para apresentar sua ferramenta Painel de Livros, que permite o monitoramento por amostragem das vendas de livro no Brasil. Durante o lançamento oficial, foram apresentados dados consolidados do setor, recolhidos entre janeiro e maio deste ano, como uma espécie de amostra grátis do tipo de informação que a GfK está oferecendo no Brasil. Eu selecionei alguns dos gráficos apresentados e os analiso a seguir.

O gráfico acima é bastante interessante, pois mostra como a crise econômica europeia está afetando o mercado editorial de lá. Dos nove países europeus acompanhados pela GfK, apenas a Bélgica apresentou crescimento entre 2010 e 2011, enquanto Itália, Suíça e Espanha apresentam quedas preocupantes e superiores a 6%. Seria bastante realista supor que em 2012 a queda pode ser ainda maior, especialmente para países como a Espanha, o que já pode ser visto no gráfico a seguir.

É realmente assustador observar que as vendas de maio na Espanha foram 42% menores do que em janeiro. É claro que seria preciso considera a sazonalidade, e o mais correto seria comparar maio de 2012 com maio de 2011. Ainda assim, em uma análise comparativa entre os países do gráfico, fica claro que a situação da Espanha é grave. Vale observar que a GfK se viu obrigada a usar janeiro como base para comparação porque foi neste mês que começou a coletar dados do mercado brasileiro. E, a seguir, encontra-se o gráfico da performance em número de títulos vendidos do mercado brasileiro nos cinco primeiros meses de 2012.

Este gráfico revelou algo meio surpreendente, afinal já é tradição no mercado afirmar que o mês de janeiro é ruim para venda de livros. Portanto, ou tivemos um janeiro fora do padrão neste ano ou a venda de didáticos ao consumidor final já em janeiro elevou o volume de exemplares vendidos. Aliás fica aqui uma sugestão para a GfK: sempre separar livro didáticos e de mercado geral em suas apresentações, pois analisá-los juntos é como somar maçã com laranjas.

O gráfico acima também chamou muito a atenção. Ele tenta mostrar que não são só restaurantes e vestuário que atualmente possuem preços tão altos no Brasil que fazem de Paris uma cidade econômica. No entanto, me sinto na obrigação de fazer uma crítica com espírito construtivo aqui. Como as amostras que levaram a tais números não foram qualificadas nem explicadas – o que é natural, pois tratava-se apenas de uma amostra grátis do que a GfK pode oferecer– ,  gostaria de tecer os seguintes comentários:

Livros não são commodities. Cada mercado possui suas próprias características de produção e consumo, e um país pode consumir mais pockets, outro mais livros coloridos etc. Para uma análise de preços, livros têm de ser considerados papel pintado. Portanto, seria necessário saber se houve ponderação em relação aos formatos gráficos consumidos em cada país. Explico: o mercado de pockets é forte na Espanha e fraco no Brasil, então seria necessário que as amostras fossem ajustadas para permitir uma maior comparação.

Preço por página é mais adequado. Uma variável que não pode ser negligenciada ao se analisar preços de livros é seu número de páginas, e uma forma simples de se ponderar isto é trabalhar com preço por página e não com o preço do livro em si.

A amostra considera Avon e porta-a-porta? Como a amostra não foi qualificada, não posso responder esta pergunta. Mas dado o alto valor do preço do livro brasileiro demonstrado, acredito que empresas como Avon e o setor porta-a-porta não estejam presentes na amostra com seus livros a preços populares.

Câmbio valorizado. Ao se analisar dados como estes, vale lembrar sempre que o Real está bastante valorizado atualmente.

A questão do preço também é comentada pelo jornalista Jorge Félix em sua coluna do Portal iG.

No gráfico acima, a concentração da indústria editorial brasileira é bastante óbvia, pois as 10 maiores editoras chegam a responder por mais de 30% do faturamento do setor em janeiro. Infelizmente, como os números incluem casas didáticas e de mercado geral, fica difícil tentar imaginar quais seriam as tais empresas.

Já neste outro gráfico, fica demonstrada a forte concentração do faturamento em alguns poucos best-sellers. Em maio, por exemplo, os 20 livros mais vendidos geraram 18,5% do faturamento, e os três maiores best-sellers responderam por 3,6% das vendas do varejo de livros. Se observarmos a lista de mais vendidos do PublishNews de maio, os três livros mais vendidos foram Agapinho, do padre-cantante Marcelo Rossi, O filho de Netuno, de Rick Riordan, e O melhor de mim, de Nicholas Sparks. É difícil saber se estes três livros são os mesmos top 3 da GfK, uma vez que os didáticos também foram considerados na pesquisa da empresa alemã.

De qualquer forma, a chegada da GfK é muito bem-vinda, pois sempre carecemos de pesquisas de dados e informações estatísticas da indústria editorial brasileira. Tenho certeza que, ao longo do tempo, a GfK será capaz de oferecer informações cada vez melhores e melhor consolidadas, e isto será excelente para o mercado editorial e para o livro no Brasil!

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