Arquivo

Arquivo do Autor

Como fui parar na casa do Saramago

1 de abril de 2011 7 comentários

Procurando a casa do Saramago...

Ser a primeira brasileira a visitar a casa de um autor estrangeiro morto recentemente e aberta há menos de 10 dias para visitação é coisa para quem é fã número 1 do cara, certo? Ainda mais se essa casa estiver numa ilha espanhola do Atlântico mais perto da África do que da própria Espanha. Gosto muito de Saramago, mas ele nunca foi meu escritor preferido. Conto então como é que eu fui parar em Lanzarote na última quarta-feira, dia 30 de março.

Estou de férias na Europa. Se eu escrevesse sobre economia ou coisa parecida, talvez estivesse completamente desligada do trabalho. Mas com literatura a coisa é diferente. Por onde você passa tem uma foto que poderia entrar na galeria do site, ou uma biblioteca para visitar que renderia uma matéria. De repente você descobre um bar que tem uma biblioteca. Vai passar batido?

Pois bem. Na terça-feira eu estava na praia de Corralejo, em Fuerteventura, nas Ilhas Canárias, tomando uma cervejinha, lendo Alberto Manguel, descansando… Sabia que Lanzarote estava ali do outro lado do mar, que Saramago tinha escolhido aquele lugar para viver e que a casa tinha se transformado recentemente em um museu. Só não sabia que era tão fácil chegar lá. Saí então da praia e fui atrás de barco, pesquisei o endereço, fiz umas contas e escrevi uma mensagem quase telegráfica para o Carlo. “Estou nas Ilhas Canárias. Se eu atravessar o mar chego a Lanzarote e visito a casa do Saramago. Ninguém vai despencar do Brasil para escrever sobre isso. Quer matéria?”. Ele quis e eu fui no dia seguinte.

Lanzarote, Ilhas Canárias

Chegando lá foi mais barato alugar um carro do que pegar um taxi (fica a dica para quem um dia se animar). Andei, andei, subi vulcão, desci vulcão, passei por povoados (todos com suas casas super brancas) e finalmente cheguei a Tías, onde Saramago e Pilar construíram uma casa e anos depois uma outra só para os livros do casal. Que lugar! A visita guiada pela simpática Pepa Sanchez pela casa por onde um dia já passaram Ernesto Sábato, Eduardo Galeano, Bernardo Bertolucci, Maria Kodama, Sebastião Salgado e tantos outros tem duração de uma hora. A guia, que foi também secretária de Saramago e ajudava Pilar com algumas traduções, conta, em detalhes, a rotina do escritor e a história de cada um dos quadros, das estátuas, das árvores.

Camões, o preferido de Saramago, passeando pela varanda

A casa parace parada no tempo. Está da mesma forma que estava no dia em que Saramago morreu: na escrivaninha, o crucifixo; na sala, a caixinha dos óculos e o gravador; na cozinha, a mesma geléia de laranja que ele comia. Saramago não está mais ali, Pilar estava no México, mas Camões e Boli, os cachorros do escritor, ficam felizes da vida com as visitas cada vez mais frequentes. Eu fui a de número 84 e, pelo que me disseram, a primeira visitante do Brasil.

Mais detalhes sobre a casa? Leia na semana que vem no PublishNews!

Bienais…

20 de agosto de 2010 Deixe um comentário

Bienal, hoje: Perder-se em e-mails chamados “lançamentos na Bienal”. Depois, perder-se nos corredores procurando alguma coisa diferente entre os milhares de “lançamentos na Bienal” e entre as tantas palestras (que estão muito boas, diga-se). Ter mais notícia para dar do que em qualquer outra época do ano.

Bienal, bem antes: O pai botando os dois (depois três, depois quatro) filhos no carro. A gente subindo a Serra para passar o sábado em São Paulo (o que já era legal) passeando na Bienal do Livro (mais legal ainda). Pavilhão lotado e cheirando a favo holandês, mãos cheias de marcadores de página e propaganda das editoras. Vontade de levar tudo mas tendo que escolher um só… com total liberdade. Uma vez comprei um lindo de cavalos. Acho que eu queria ser veterinária naquela época (ou pode ser que isso tenha acontecido quando inventei que queria fazer aula de equitação). Nunca fez muito sentido, mas guardei o livro por muitos anos (hoje ele mora na estante da Verena, que, ela sim, investiu nisso e andou ganhando algumas provas importantes lá no Mato Grosso).

Categorias:Bienal, Feiras

O meu PublishNews tem cinco anos

20 de julho de 2010 Deixe um comentário

A primeira vez em que ouvi falar em “PublishNews” foi no susto. Era o meu primeiro dia de trabalho depois de quase dois anos sabáticos e eu estava chegando em São Paulo para fazer, por dois meses, a assessoria de imprensa da Jornada de Literatura de Passo Fundo. Mudança de cidade, gente desconhecida por todos os lados e ainda por cima eu não conhecia o PublishNews?! Fiquei fã de cara. Tanto que um ano depois, na volta do meu primeiro mês de férias (é, acabei ficando mais do que os dois meses programados. bem mais, aliás), apaguei, sem dó, quase todos os e-mails – só sobraram aquelas newsletters que separavam a hora do almoço da realidade do trabalho! E fui lendo uma a uma até entrar na rotina novamente. O PublishNews não era só um veículo para onde eu mandava sugestões de pauta, livros e coisa e tal. Gente boníssima sempre esteve por trás dele. Primeiro conheci o Carlo… lá em Passo Fundo mesmo. A boa conversa que rolava debaixo daquelas lonas de circo continuava nos jantares nos CTGs da vida. Ficamos amigos. Depois o Ricardo, companheiro de almoços, jantares e cervejas pelas Flips afora. A Luciana, a moça cercada por livros, só fui conhecer, mesmo, neste ano. Mas foi perto do Natal passado que minha relação com o PublishNews começou a mudar. Uma ligação inesperada, uns dias para pensar, outros dias para pensar, e eu não conseguia achar motivo para não aceitar o convite. E assim, cinco anos depois daquela dica da Ivani, me vejo sentada aqui, também cercada por livros, comemorando o aniversário do, já posso dizer, nosso site. Ah, curioso que no primeiro evento que fui cobrir ouvi: “A primeira coisa que me disseram quando comecei a trabalhar na editora foi ‘você tem que assinar o PublishNews!’” Que bom que é assim!

Categorias:Memórias
%d blogueiros gostam disto: