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Archive for agosto \07\UTC 2012

O dia D (de digital) na Bienal de SP

7 de agosto de 2012 9 comentários
Russ Grandinetti

Russ Grandinetti, vice-presidente da Amazon e responsável pelo Kindle é um dos destaques do Dia Digital na Bienal

Esta semana, na sexta-feira, 10 de agosto, terei o privilégio de mediar 6 eventos na 22ª Bienal do Livro de São Paulo. É a primeira vez que participo como mediador no maior evento do livro da minha cidade natal e por isso sou grato ao convite que veio da Câmara Brasileira do Livro por meio do editor Quartim de Moraes, curador do espaço Livros & Cia. A proposta deste espaço é discutir o negócio do livro, as questões da indústria editorial e outros aspectos mais ligados ao mercado. A programação montada por Quartim é a melhor que já vi em bienais e merece o apoio e presença de todos. E é justamente por isso que o PublishNews está apoiando oficialmente esta programação. Mas quero aproveitar este espaço para falar dos 6 eventos que vou mediar no dia 10 de agosto, todos centrados na questão digital.

O dia começa cedo, com uma palestra de Andrew Lowinger, CEO do Copia Interactive, logo às 11h da manhã. O norte-americano vai falar sobre a plataforma Copia que já está operacional no Brasil em uma parceria com a Submarino. Juntos, Copia e Submarino esão por trás do portal Submarino Digital Club. O principal diferencial da plataforma do Copia é seu forte enfoque na importância das mídias sociais e em seu modelo de negócios que procura se associar com as empresas tradicionais do setor e não substituí-las. Troquei alguns e-mails com o Andrew nos últimos dias e ele adiantou um pouco do teor de sua palestra, intitulada “A Revolução Digital: como aproveitar suas vantagens e evitar seus riscos”.

Andrew Lowinger

Para Andrew Lowinger, CEO do Copia Interative, “o perigo está em ficar apenas dizendo para onde a revolução digital está indo ao invés de refletir sobre ela”

“A revolução digital é de ruptura e assustadora, especialmente para aqueles que tem um interesse claro no status quo, mas o que virá no futuro é de fato evolucionário e previsível”, explicou. “O perigo está em ficar apenas dizendo para onde a revolução digital está indo ao invés de refletir sobre ela”, continuou. Andrew ainda promete apresentar de forma clara “o que a indústria tem de fazer para se manter brasileira”.

Vale lembrar que cada uma destas palestras vai durar cerca de 1h30, com trinta minutos de palestra, seguidos de 15 minutos de bate-papo com o mediador, este que vos escreve, e mais meia hora pelo menos de perguntas do público.

Depois de uma pausa para almoço (e uma sobremesa no carrinho de doces portugueses), é hora de voltar às 13h30 para a apresentação de nada mais que Russ Grandinetti. Russ é vice-presidente da Amazon e responde por todas as operações ligadas ao Kindle. Acima dele, só os deuses de Seattle, ou melhor, Jeff Bezos. Russ está na Amazon desde 1998 e acompanhou todo o processo de criação e produção do Kindle. Em sua palestra intitulada “A Amazon e o Novo Normal” ele pretende contar a história que mudou o mercado editorial. Enquanto todos no Brasil olham para o futuro da Amazon no País, Russ deve falar também sobre este passado fascinante.

Marie Pellen

Marie Pellen apresenta uma plataforma freemium para a distribuição de conteúdo acadêmico

Após o Mr. Kindle deixar o palco, será a vez de Marcílio Pousada, CEO da Livraria Saraiva, contar, a partir das 15h, o que a empresa brasileira tem feito na área digital. O título de sua palestra é “A Saraiva e as soluções digitais para o mercado brasileiro”, e o executivo da empresa que mais compra e vende livros no Brasil vai contar um pouco do pioneirismo da empresa na comercialização de eBooks e de como a plataforma da Saraiva – que permite a leitura em tablets, celulares, desktops – vem sendo desenvolvida. O comércio eletrônico dos livros digitais também deve fazer parte de sua fala.

Depois de duas palestras bastante focadas no mundo dos negócios, será a hora de dar um respiro para ouvir a francesa Marie Pellen falar sobre “OpenEdition: uma solução Freemium para a publicação acadêmica de ciências humanas”. Pellen é coordenadora para língua portuguesa do programa conhecido como OpenEdition Freemium, uma plataforma que traz um modelo econômico inovador com base no acesso livre para publicações científicas.

Jesse Potash

Jesse Potash, CEO da Pubslush, preparou uma verdadeira aula sobre as empresas que surfam na ruptura digital do mercado editorial

Resumidamente, a plataforma trabalha com um modelo de licenças para distribuição de conteúdo acadêmico. Em tempos de Netflix, sua apresentação, marcada para as 16h30, tem tudo para contribuir, e muito, para a discussão dos novos modelos de remuneração para a comercialização de conteúdo.

E por falar em novos modelos, Jesse Potash, criador da editora Pubslush, está preparando uma bela aula para ser apresentada às 18h do próximo dia 10. Potash vai falar sobre “A revolução digital e os novos modelos de negócio”, e preparou uma lista de empresas startups que estão trazendo rupturas para o mercado editorial. Entre as empresas que ele pretende discutir estão a própria Pubslush, a BookBaby, a BookEspresso, a Goodreads, a espanhola 24symbols, a Valobox e, ufa!, a WriterCube. Cada uma destas empresas, na visão de Potash, é responsável por um tipo de ruptura na cadeia editorial.

Tive a oportunidade de discutir o conteúdo da apresentação com Jesse por Skype e fiquei fascinado com o formato que ele vai dar para a apresentação, especialmente porque resolveu expandir o horizonte da palestra para empresas que não sua Pubslush, editora que promove a publicação de autores independentes por meio de crowdfunding.

Para terminar o dia, às 19h30, uma conversa com dois brasucas: Julio Silveira, da Imã Editorial, e Eduardo Melo, da Simplíssimo. O primeiro, um editor pernambuco-carioca, vai abordar as oportunidades e ameaças que a revolução digital traz para autores e editores. Já o gaúcho Eduardo vai apresentar sua bem-humorada visão do editor brasileiro em meio ao tiroteio digital do mercado.

Julio Silveira

Julio Silveira, editor da Imã, abordará os efeitos digitais nas relações entre autores e editores

A idéia desta mesa, intitulada “A revolução digital no Brasil: perspectivas tropicais” é discutir como e em que velocidade as mudanças digitais vão ocorrer no Brasil. Julio possui grande experiência editorial e Eduardo é proprietário da maior empresa de produção de eBooks no Brasil. Além disso, são dois grandes amigos, e a ideia e fazermos um bate-papo informal entre nós.

Honestamente, esta programação é digna de eventos como o Tools of Change e o Digital Book World, com uma grande vantagem: é de graça. Basta chegar mais cedo e pegar a senha.

Resumindo o programa do dia 10 de agosto será o seguinte:

11:00 – A Revolução Digital: Como aproveitar suas vantagens e evitar seus riscos, com Andrew Lowindger

Eduardo Melo

O sócio da Simplissimo, Eduardo Melo, trará sua experiência como o maior produtor de e-books do mercado brasileiro

13:30 – A Amazon e o novo normal: possibilidades digitais do Kindle, com Russ Grandinetti

15:00 – A Saraiva e as soluções digitais para o mercado brasileiro, com Marcílio Pousada

16:30 – OpenEdition: uma solução Freemium para a publicação acadêmica de ciências humanas, com Marie Pellen

18:00 – A revolução digital e os novos modelos de negócio, com Jesse Potash

19:30 – A revolução digital no Brasil: perspectivas tropicais, com Eduardo Melo e Julio Silveira

Ajudem na divulgação e convidem colegas e amigos para discutir o futuro digital do livro. Vejo vocês na Bienal!

A programação completa do dia 10/8 pode ser baixada em PDF aqui.

Saraiva

Às 15h, o CEO da Livraria Saraiva, Marcílio Pousada, falará sobre a experiência com livros digitais da maior rede de livrarias do Brasil

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Publishnews: Semana 1

6 de agosto de 2012 1 comentário

Eu estava na Flip quando li o post do Ricardo sobre sua saída do Publishnews, na sala de imprensa, e de lá fui para a tenda dos autores, pensando no chapéu Panamá. Atravessando a ponte, fiz a paradinha mandatória para admirar o rio e o recorte das montanhas. E foi aí que a ficha caiu: em 3 semanas estaria trabalhando no Publishnews. Pânico.

Dois anos atrás, em 2010, eu estava naquele mesmo ponto alto da ponte, admirando as mesmas montanhas. Eu parecia anúncio da Tele Sena: “De hora em hora, Iona informa novo tema da dissertação”. Tinha ido à Flip com a minha família. Minha mãe, como boa acadêmica, estava gostando mas achando tudo muito “mainstream”. Minha irmã vivia em passeios de barco, meu pai passava o dia lendo na rede. E eu sentia que estava do lado de fora de uma festa, de um mundo, do qual queria muito fazer parte. Tive que passar pela Matemática, Economia e Direito para entender que o que eu queria era trabalhar com livros. E era essa a sensação naquela Flip de 2010. Mal sabia eu que 6 meses depois minha vida daria uma reviravolta.

Não bastou um emprego novo, numa cidade nova. Eu tive que ter a brilhante ideia de jerico (categoria muito específica de ideias que você fica feliz por não saber de antemão o trabalho que daria, senão não teria feito) de pegar um ônibus e passar a noite na Dutra 2 sextas-feiras por mês, para fazer um curso e tentar entender finalmente o que era esse tal de “mercado editorial”. No mesmo prédio do curso, alguns andares pra cima, a minha corajosa amiga desbravava seu doutorado em Economia. Um dia fui visitá-la no intervalo da aula, estava exausta da viagem. Ela me disse: “Seus olhinhos tão brilhando”. É, acho que estou no caminho certo, pensei.

E eis que, no que pareceu ser uma fração de segundo depois, eu estava observando aquelas montanhas em Paraty. Eu tentei concatenar tudo o que havia acontecido até então, mas não deu muito certo, a ficha tinha caído e eu tava morrendo de medo de ir pro Publishnews (empolgada também, lógico, mas naquele momento a empolgação cedeu seu espaço).

E agora escrevo, numa tarde ensolarada de sexta-feira (o primeiro momento tranquilo desde segunda), e posso dizer que sobrevivi a minha primeira semana como editora do Publishnews. Não sei como, vou ser sincera, há 2 anos que vivo na correria, cometendo 20 erros por hora (mas aparentemente fazendo 21 acertos). O importante é que fui recebida com muito carinho. Carlo, Cássia e Lu têm sido mais que pacientes e generosos (até a proeza de ficar trancada pra fora do escritório já consegui) e a empolgação voltou a tomar conta. Vááááários planos e ideias pela frente, TV Publishnews no ar, Frankfurt lá na frente e vamo que vamo!

Cheers,

Iona

PS: Estou totalmente aberta a dúvidas, críticas e sugestões, desde que acompanhadas de uma cerveja na Vila (quem sai da Avenida Paulista pra Vila Madalena fica deslumbrado por um bom tempo).

Categorias:Cotidiano do PN
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