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Archive for junho \28\UTC 2012

Obrigado, PublishNews!

28 de junho de 2012 1 comentário

Não sei ao certo que dia foi, mas sei que foi em março de 2006. Eu dava consultoria de planejamento e produção editorial, e trabalhava do meu home office. Não lembro o que estava fazendo, só que o telefone tocou e era o meu amigo Carlo Carrenho na linha. Ele tinha uma proposta…

Bom, você já deve ter lido o post dele aqui no blog da redação – PublishNews perde seu chapéu Panamá -, onde ele conta essa história. Então não vou repetir. A gente tinha combinado que cada um escreveria um post hoje, e eu estava com essa história na cabeça. Mas foi o Carlo quem escreveu primeiro e contou a história. E desabei.

Estou tentando escrever este post há horas. Fiz e refiz um monte. Agora as histórias destes mais de 6 anos se enfileiram na minha cabeça. É claro que não vai dar pra escrever todas aqui, e escolher uma ou outra seria como fazer só uma parte do trabalho; e eu detesto deixar as coisas pela metade! Desde os primeiros anos dividindo o porão do prédio da Fradique Coutinho com o pessoal da editora Hedra – super gente boa! – até os últimos anos no prédio da rua Fidalga – um verdadeiro achado quando procurávamos por uma nova sede, que não podia ser, por princípio existencial, ser fora da Vila Madalena! 🙂 Anos super bons.

Companheiros, amigos, colegas: foi bom demais. E agora parto para um novo desafio. Em 16 de julho começo a trabalhar no The Copia – empresa norteamericana de plataforma para o livro digital (pra simplificar muito a explicação) – cuidando da relação com as editoras e com a imprensa. Antevejo muitos encontros com todos vocês. Espero que muitos cafés, almoços, jantares, encontros etílicos… feiras, festas e outros eventos literários nos juntem muitas e muitas vezes.

Podem ter certeza de que vocês ainda vão ver muito o chapéu Panamá andando por esse mundo do livro! Mega obrigado, Carlo Carrenho. Valeu, PublishNews. A saudade já tá batendo forte.

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PublishNews perde seu chapéu Panamá

28 de junho de 2012 4 comentários

Lembro-me daquele dia de 2006 como se fosse hoje. A caminho de um jantar na Lagoa, no Rio de Janeiro, o celular toca e o então gerente do PublishNews pede demissão. Eu tinha mudado para o Rio e começado na Thomas Nelson Brasil havia poucos meses e estava atolado com o trabalho de lançar uma nova editora. E, naquela época, o PublishNews ainda consumia capital mensalmente sem break-even à vista. Desliguei o celular e dentro do táxi mesmo, cruzando Botafogo, decidi fechar o PublishNews. E, muito triste, fui para meu jantar no Bar Lagoa.

Ricardo Costa e seu chapéu em jantar com a delegação inglesa da Publishers Association em um de seus restaurantes paulistanos favoritos: o Dalva e Dito

Foi naquela mesma noite, voltando para casa, que um nome me veio à mente: Ricardo Costa. Onde andaria meu amigo editor com quem tivera algum bom contato na organização de vários eventos, mas com quem pouco havia falado nos últimos anos. Ufa! Bastou alguns telefonemas no dia seguinte, e o PublishNews estava a salvo.

Ao longo dos últimos 6 anos, enquanto eu me dedicava a uma carreira de publisher no groupo Ediouro, o Ricardo revolucionou o PublishNews como negócio. Nosso faturamento duplicou em poucos meses e hoje é cinco vezes maior do que era em 2006. Além disso, crescemos internacionalmente, e isto ocorreu em grande parte graças à capacidade de networking que aquele sujeito sempre de chapéu Panamá – e tão simpático – tinha e exercia. Foi durante estes anos que viramos parceiros da Feira de Frankfurt, patrocinadores de mídia da Digital Book World e da Tools of Change, e apoiadores da Publishers Association de Londres. Passamos a ser convidados para feiras como as de Guadalajara, Londres, Buenos Aires e até Abu Dabi. Lançamos o PublishNews Brazil, levando em inglês notícias daqui para o mundo. Uau! E isso não é tudo! A verdade é que o Ricardo fez um grande trabalho nos anos em que dedicou ao PublishNews.

Mas nada dura para sempre. E agora chegou a vez do Ricardo recolher seu chapéu e buscar novos horizontes. É inegável, ele vai fazer muita falta e vai ser estranho não ver mais aquele sujeito de paletó, camiseta do PublishNews e chapéu Panamá no escritório e nos eventos editoriais. Se ninguém é insubstituível, o Ricardo é quase. E a gente vai sofrer um pouquinho logo depois que ele sair do PublishNews. Mas isto, perto do legado que ele deixou, não será nada. E tenho certeza de que ele vai construir um novo legado tão importante quanto o nosso em sua próxima atividade.

Do nosso lado, como deixei o grupo Ediouro há dois meses, vou reassumir a direção executiva do PublishNews com o apoio da Cássia Carrenho que já vinha cuidando da parte administrativa. Como havia dito, o Ricardo é quase insubstituível e, por isso, decidimos nem tentar substituí-lo. Como moro no Rio, minha vida agora será uma eterna ponte aérea, com casa, família e praia na Cidade Maravilhosa, e escritório, negócios e trabalho em São Paulo (the best of both worlds, diriam os leitores do PN Brazil). Minha ideia é expandir o PublishNews para algumas novas áreas e retomar as atividades de consultoria que havia abandonado quando assumi a Singular Digital, do grupo Ediouro.

Ricardo, vai com tudo, cara! Desejamos muito sucesso e temos certeza que você vai se sair muito bem em seu novo desafio. A amizade e o companheirismo seguem inabalados. E apareça na Vila Madalena para tomar um café sempre que puder.

Ah! E ao sair, não esqueça seu chapéu Panamá.

Uma análise dos dados da GfK

15 de junho de 2012 4 comentários

A GfK, codinome da Gesellschaft für Konsumforschung, é a maior empresa de pesquisas de mercado da Alemanha que começou a atuar este ano no mercado editorial brasileiro. Na manhã de 14/6, a empresa organizou um evento para apresentar sua ferramenta Painel de Livros, que permite o monitoramento por amostragem das vendas de livro no Brasil. Durante o lançamento oficial, foram apresentados dados consolidados do setor, recolhidos entre janeiro e maio deste ano, como uma espécie de amostra grátis do tipo de informação que a GfK está oferecendo no Brasil. Eu selecionei alguns dos gráficos apresentados e os analiso a seguir.

O gráfico acima é bastante interessante, pois mostra como a crise econômica europeia está afetando o mercado editorial de lá. Dos nove países europeus acompanhados pela GfK, apenas a Bélgica apresentou crescimento entre 2010 e 2011, enquanto Itália, Suíça e Espanha apresentam quedas preocupantes e superiores a 6%. Seria bastante realista supor que em 2012 a queda pode ser ainda maior, especialmente para países como a Espanha, o que já pode ser visto no gráfico a seguir.

É realmente assustador observar que as vendas de maio na Espanha foram 42% menores do que em janeiro. É claro que seria preciso considera a sazonalidade, e o mais correto seria comparar maio de 2012 com maio de 2011. Ainda assim, em uma análise comparativa entre os países do gráfico, fica claro que a situação da Espanha é grave. Vale observar que a GfK se viu obrigada a usar janeiro como base para comparação porque foi neste mês que começou a coletar dados do mercado brasileiro. E, a seguir, encontra-se o gráfico da performance em número de títulos vendidos do mercado brasileiro nos cinco primeiros meses de 2012.

Este gráfico revelou algo meio surpreendente, afinal já é tradição no mercado afirmar que o mês de janeiro é ruim para venda de livros. Portanto, ou tivemos um janeiro fora do padrão neste ano ou a venda de didáticos ao consumidor final já em janeiro elevou o volume de exemplares vendidos. Aliás fica aqui uma sugestão para a GfK: sempre separar livro didáticos e de mercado geral em suas apresentações, pois analisá-los juntos é como somar maçã com laranjas.

O gráfico acima também chamou muito a atenção. Ele tenta mostrar que não são só restaurantes e vestuário que atualmente possuem preços tão altos no Brasil que fazem de Paris uma cidade econômica. No entanto, me sinto na obrigação de fazer uma crítica com espírito construtivo aqui. Como as amostras que levaram a tais números não foram qualificadas nem explicadas – o que é natural, pois tratava-se apenas de uma amostra grátis do que a GfK pode oferecer– ,  gostaria de tecer os seguintes comentários:

Livros não são commodities. Cada mercado possui suas próprias características de produção e consumo, e um país pode consumir mais pockets, outro mais livros coloridos etc. Para uma análise de preços, livros têm de ser considerados papel pintado. Portanto, seria necessário saber se houve ponderação em relação aos formatos gráficos consumidos em cada país. Explico: o mercado de pockets é forte na Espanha e fraco no Brasil, então seria necessário que as amostras fossem ajustadas para permitir uma maior comparação.

Preço por página é mais adequado. Uma variável que não pode ser negligenciada ao se analisar preços de livros é seu número de páginas, e uma forma simples de se ponderar isto é trabalhar com preço por página e não com o preço do livro em si.

A amostra considera Avon e porta-a-porta? Como a amostra não foi qualificada, não posso responder esta pergunta. Mas dado o alto valor do preço do livro brasileiro demonstrado, acredito que empresas como Avon e o setor porta-a-porta não estejam presentes na amostra com seus livros a preços populares.

Câmbio valorizado. Ao se analisar dados como estes, vale lembrar sempre que o Real está bastante valorizado atualmente.

A questão do preço também é comentada pelo jornalista Jorge Félix em sua coluna do Portal iG.

No gráfico acima, a concentração da indústria editorial brasileira é bastante óbvia, pois as 10 maiores editoras chegam a responder por mais de 30% do faturamento do setor em janeiro. Infelizmente, como os números incluem casas didáticas e de mercado geral, fica difícil tentar imaginar quais seriam as tais empresas.

Já neste outro gráfico, fica demonstrada a forte concentração do faturamento em alguns poucos best-sellers. Em maio, por exemplo, os 20 livros mais vendidos geraram 18,5% do faturamento, e os três maiores best-sellers responderam por 3,6% das vendas do varejo de livros. Se observarmos a lista de mais vendidos do PublishNews de maio, os três livros mais vendidos foram Agapinho, do padre-cantante Marcelo Rossi, O filho de Netuno, de Rick Riordan, e O melhor de mim, de Nicholas Sparks. É difícil saber se estes três livros são os mesmos top 3 da GfK, uma vez que os didáticos também foram considerados na pesquisa da empresa alemã.

De qualquer forma, a chegada da GfK é muito bem-vinda, pois sempre carecemos de pesquisas de dados e informações estatísticas da indústria editorial brasileira. Tenho certeza que, ao longo do tempo, a GfK será capaz de oferecer informações cada vez melhores e melhor consolidadas, e isto será excelente para o mercado editorial e para o livro no Brasil!

Willkommen, Gesellschaft für Konsumforschung!

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