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Como fui parar na casa do Saramago

Procurando a casa do Saramago...

Ser a primeira brasileira a visitar a casa de um autor estrangeiro morto recentemente e aberta há menos de 10 dias para visitação é coisa para quem é fã número 1 do cara, certo? Ainda mais se essa casa estiver numa ilha espanhola do Atlântico mais perto da África do que da própria Espanha. Gosto muito de Saramago, mas ele nunca foi meu escritor preferido. Conto então como é que eu fui parar em Lanzarote na última quarta-feira, dia 30 de março.

Estou de férias na Europa. Se eu escrevesse sobre economia ou coisa parecida, talvez estivesse completamente desligada do trabalho. Mas com literatura a coisa é diferente. Por onde você passa tem uma foto que poderia entrar na galeria do site, ou uma biblioteca para visitar que renderia uma matéria. De repente você descobre um bar que tem uma biblioteca. Vai passar batido?

Pois bem. Na terça-feira eu estava na praia de Corralejo, em Fuerteventura, nas Ilhas Canárias, tomando uma cervejinha, lendo Alberto Manguel, descansando… Sabia que Lanzarote estava ali do outro lado do mar, que Saramago tinha escolhido aquele lugar para viver e que a casa tinha se transformado recentemente em um museu. Só não sabia que era tão fácil chegar lá. Saí então da praia e fui atrás de barco, pesquisei o endereço, fiz umas contas e escrevi uma mensagem quase telegráfica para o Carlo. “Estou nas Ilhas Canárias. Se eu atravessar o mar chego a Lanzarote e visito a casa do Saramago. Ninguém vai despencar do Brasil para escrever sobre isso. Quer matéria?”. Ele quis e eu fui no dia seguinte.

Lanzarote, Ilhas Canárias

Chegando lá foi mais barato alugar um carro do que pegar um taxi (fica a dica para quem um dia se animar). Andei, andei, subi vulcão, desci vulcão, passei por povoados (todos com suas casas super brancas) e finalmente cheguei a Tías, onde Saramago e Pilar construíram uma casa e anos depois uma outra só para os livros do casal. Que lugar! A visita guiada pela simpática Pepa Sanchez pela casa por onde um dia já passaram Ernesto Sábato, Eduardo Galeano, Bernardo Bertolucci, Maria Kodama, Sebastião Salgado e tantos outros tem duração de uma hora. A guia, que foi também secretária de Saramago e ajudava Pilar com algumas traduções, conta, em detalhes, a rotina do escritor e a história de cada um dos quadros, das estátuas, das árvores.

Camões, o preferido de Saramago, passeando pela varanda

A casa parace parada no tempo. Está da mesma forma que estava no dia em que Saramago morreu: na escrivaninha, o crucifixo; na sala, a caixinha dos óculos e o gravador; na cozinha, a mesma geléia de laranja que ele comia. Saramago não está mais ali, Pilar estava no México, mas Camões e Boli, os cachorros do escritor, ficam felizes da vida com as visitas cada vez mais frequentes. Eu fui a de número 84 e, pelo que me disseram, a primeira visitante do Brasil.

Mais detalhes sobre a casa? Leia na semana que vem no PublishNews!

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  1. Reinaldo Seriacopi
    1 de abril de 2011 às 5:21 pm

    O que fazia um crucifixo na casa do Saramago???

  2. Ligia
    8 de abril de 2011 às 4:14 pm

    ótimo, fer!

  3. 18 de abril de 2011 às 2:45 pm

    Oi, Maria Feranda.

    Nooossa, que legal… Experiência única, hein?
    Depois de assistir ao José e Pilar, imaginei como seria uma visita como esta… Taí, respondida minha pergunta.

    Bjo

  4. Marcia Batista
    19 de abril de 2011 às 12:46 pm

    Parabéns, Maria Fernanda
    e equipe Publishnews!!!!!

    Vocês estão arrasando.
    Deu vontade de fazer as mochilas e ser a segunda brasileira a visitar a casa do Saramago. Hehehe.

    Abs

  5. Patricia
    5 de maio de 2011 às 1:14 pm

    Que inveja branca!!!! Sou fã do Saramago e já inclui Lanzarote nos meus planos. Parabéns pela matéria.

  6. marilda jardim
    7 de junho de 2011 às 12:56 pm

    Que experiencia Fer!!!Confesso que li apenas dois livros dele, mas sua pequena biografia que me foi enviada(via email) dia apos sua morte fez com que eu o admirasse mais ainda. Grande Homem, e sua mulher, admiravel tambem. Beijos e parabens pela materia.

  1. 6 de abril de 2011 às 11:47 pm

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