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Mude a sua história

26 de abril de 2011 3 comentários

Este texto foi escrito em 19 de abril, mas enrolei pra postar…

O slogan de uma campanha do Itaú diz: “Ler para uma criança muda a sua história”. Me pergunto se “sua” seria da criança ou do leitor…

Meu dia hoje está no avesso, e nesses dias tenho vontade de escrever. Estranho isso, não? Mas é assim. E não vou brigar comigo por causa disso. Então, vou escrever.

Acabei de ver esse slogan em um carro meio velho estacionado aqui perto do escritório e a dúvida me veio à mente. É a mágica da rica língua portuguesa. Embora seja “quase óbvio” para mim que a ideia é de que a história da criança é que vai ser mudada, não resisti a pensar na opção do “sua” referente a você, a pessoa que lê para a criança. A nossa língua permite isso; fácil.

E o melhor de tudo é que ler para uma criança muda mesmo a história de quem lê. Viajar na história com a criança é muito bom. É divertido. É inspirador. É revigorante.

E se a criança for faladeira, extrovertida, imaginativa, é bem capaz de você acabar com uma nova história nas mãos, contada por ela.

Mas ver uma criança curtir a contação de história também é muito bom. O sorriso dela, os olhos “estalados”, o interesse… e depois ela vem contar tudo pra você. Repetir a história como se não fosse você quem lhe contou! E não é que parece mais bonita a história quando ela conta do que quando você lê?

Aprender com a vontade de aprender da criança. Aprender com a simplicidade da criança. Aprender com a informalidade da criança. Aprender com a ingenuidade da criança. Isso muda a sua história. Sua. De você mesmo!

Leia para uma criança e mude a história de vocês!

Categorias:Memórias

Como fui parar na casa do Saramago

1 de abril de 2011 7 comentários

Procurando a casa do Saramago...

Ser a primeira brasileira a visitar a casa de um autor estrangeiro morto recentemente e aberta há menos de 10 dias para visitação é coisa para quem é fã número 1 do cara, certo? Ainda mais se essa casa estiver numa ilha espanhola do Atlântico mais perto da África do que da própria Espanha. Gosto muito de Saramago, mas ele nunca foi meu escritor preferido. Conto então como é que eu fui parar em Lanzarote na última quarta-feira, dia 30 de março.

Estou de férias na Europa. Se eu escrevesse sobre economia ou coisa parecida, talvez estivesse completamente desligada do trabalho. Mas com literatura a coisa é diferente. Por onde você passa tem uma foto que poderia entrar na galeria do site, ou uma biblioteca para visitar que renderia uma matéria. De repente você descobre um bar que tem uma biblioteca. Vai passar batido?

Pois bem. Na terça-feira eu estava na praia de Corralejo, em Fuerteventura, nas Ilhas Canárias, tomando uma cervejinha, lendo Alberto Manguel, descansando… Sabia que Lanzarote estava ali do outro lado do mar, que Saramago tinha escolhido aquele lugar para viver e que a casa tinha se transformado recentemente em um museu. Só não sabia que era tão fácil chegar lá. Saí então da praia e fui atrás de barco, pesquisei o endereço, fiz umas contas e escrevi uma mensagem quase telegráfica para o Carlo. “Estou nas Ilhas Canárias. Se eu atravessar o mar chego a Lanzarote e visito a casa do Saramago. Ninguém vai despencar do Brasil para escrever sobre isso. Quer matéria?”. Ele quis e eu fui no dia seguinte.

Lanzarote, Ilhas Canárias

Chegando lá foi mais barato alugar um carro do que pegar um taxi (fica a dica para quem um dia se animar). Andei, andei, subi vulcão, desci vulcão, passei por povoados (todos com suas casas super brancas) e finalmente cheguei a Tías, onde Saramago e Pilar construíram uma casa e anos depois uma outra só para os livros do casal. Que lugar! A visita guiada pela simpática Pepa Sanchez pela casa por onde um dia já passaram Ernesto Sábato, Eduardo Galeano, Bernardo Bertolucci, Maria Kodama, Sebastião Salgado e tantos outros tem duração de uma hora. A guia, que foi também secretária de Saramago e ajudava Pilar com algumas traduções, conta, em detalhes, a rotina do escritor e a história de cada um dos quadros, das estátuas, das árvores.

Camões, o preferido de Saramago, passeando pela varanda

A casa parace parada no tempo. Está da mesma forma que estava no dia em que Saramago morreu: na escrivaninha, o crucifixo; na sala, a caixinha dos óculos e o gravador; na cozinha, a mesma geléia de laranja que ele comia. Saramago não está mais ali, Pilar estava no México, mas Camões e Boli, os cachorros do escritor, ficam felizes da vida com as visitas cada vez mais frequentes. Eu fui a de número 84 e, pelo que me disseram, a primeira visitante do Brasil.

Mais detalhes sobre a casa? Leia na semana que vem no PublishNews!

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