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Archive for outubro \08\UTC 2010

O último dia em Frankfurt…

8 de outubro de 2010 1 comentário

… ou quase. Na verdade sábado e domingo (9 e 10) ainda rola a Feira, mas agora aberta ao público. Já me disseram que é uma loucura, mas amanhã vou passar por lá pra conferir. Ops!, é sobre o dia de hoje que vou contar.

Depois de ter ido dormir um bocado tarde ontem, escrevendo matérias para o PublishNews de hoje – umas 2h30 da manhã –, tive que levantar às 6h30 pra poder pegar o trem em tempo de chegar para o café da manhã que os editores canadenses ofereceram aos brasileiros na madrugada desta sexta-feira (8), às 8h.

Estou saindo para a estação e ao passar pelo lobby encontro meu amigo Thomas Minkus que já havia chamado um taxi porque estava “se mudando” para outro hotel. Ofereceu-me carona e é claro que eu fui! Resultado: cheguei à Messe meia hora mais cedo do que o previsto. Mas como sou meio neurótico com horário, prefiro antecipado do que atrasado.

E não é que foi bom? Depois de uns dez minutos sentado à porta do Hall 8.0, chega meu outro amigo, Jens Bammel, que está vindo preparar algumas coisas para uma palestra. Cool! Isso nos dá tempo para um papo rápido.

Bom, hoje estou um bocado cansado, depois de andar feito um camelo por três dias. Mas até que para ser honesto, curti essa andação pela cidade alemã – que aliás um taxista definiu pra mim como a “maior vila do mundo”! Adorei.

Voltando à aventura diária, desta vez começou com o café da manhã no estande do Canadá. Excelente. Folhados, croissants, frios, sucos, café, leite e chá; ninguém podia reclamar, a não ser da possibilidade de ganhar uns quilinhos ali (o que não é nenhum problema quando se considera a distância percorrida diariamente).

Breakfast encerrado e vou colocar “o pé na estrada” (ou melhor, nos corredores da FBF10). Ainda não visitei muito porque surgiram vários encontros e entrevistas não programados antes da saída de Sampa. Mas antes, vamos à entrevista do Carlo Carrenho com o Newton Neto, da Singular.

Ai caramba!, agora tenho que correr pra editar a matéria sobre a entrevista e mandar pra Maria Fernanda revisar. Pausa no tempo e dou uma corrida no escritório da PublishingPerspectives, onde tenho acesso à internet e um cantinho numa das mesas pra trabalhar. Matéria escrita e enviada, melhor voltar à agenda. Participar, em 15 minutos, do debate sobre o livro digital e os direitos autorais, organizado pela IPA no Hall 4.0 – e eu estou no 8.0. Jesuis, que caminhada…

Chegamos, Carlo e eu, na sala com cinco minutos de atraso: lotado. Não é possível entrar. …

Depois de alguma tensão, nada demais!, cada um vai pr’um lado. Resolvi dar uma caminhada pela Feira e conhecer a Gourmet Gallery. Lindo. Um espaço reservado aos cook books. Depois uma caminhada ao Centro de Imprensa. E à entrada, no café do jardim, a grada surpresa de encontrar Pedro Almeida e Mariana Rollier, grandes amigos – e mais tarde um pouco, entre uma correria do Hall 3.0 para o 6.0, também encontrei com Mauro e Marilene Terrengui. Grande dupla!

Aliás, hoje foi dia de encontrar muitos amigos; da terra brasilis, ainda teve Ubiratan Brasil e Guilherme Freitas, e internacionais, como a Isabel Coutinho, Álvaro da Costa e outros. No centro de imprensa, foi legal “colocar um rosto” nos emails e telefonemas que troquei com Nina Klein, da Frankfurt Book Fair. E ela me apresentou a galera que trabalha nos press releases da Feira. Que turma “da pesada”!

Aguenta que falta pouco pra sairmos da feira – o que não significa obrigatoriamente terminar o dia. Mais uma passada no estande tupiniquim para marcar presença no coquetel, e partimos para um jantar muito especial.

Mas como o jantar seria só às 20h30 e era obrigado a deixar a Feira ou seria trancado lá até o dia seguinte, fui com o Castilho e a Miriam Gabbai ao Conrad – tipicamente alemão. Só um pit stop pra uma loira gelada e umas salsichas… E já é hora de ir jantar.

Pé na rua e Google maps na mão, será uma caminhada de apenas 20 minutos. Sabe que Frankfurt é uma cidade deliciosa para se caminhar? Tudo plano e o clima desta noite estava bem agradável. Fui!

Um restaurante tranquilo, numa região nada conhecida pelos habitues da FBF. Tão bom que não vou contar a ninguém onde é – por favor, licença pra ser egoísta! Thomas Minkus e alguns da galera da PublishingPerspectives nos convidaram para essa noite adorável. Super jantar, com menu completo de três pratos. E os vinho também eram de primeira.

Pronto. Estou de volta ao quarto e terminando minha última intervenção no blog durante a viagem. Pode ser que ao voltar ao Brasil mais alguma aventura de viagem vire mais um post. Se assim não for, a gente se vê por aqui de algum outro jeito. Valeu!

Categorias:Feiras, Frankfurt

O elevador não pára

6 de outubro de 2010 Deixe um comentário

E começou a Feira do Livro de Frankfurt – pra quem quiser seguir tudo no Twitter, inclusive em outros idiomas que não oinglês,pesquisa por #FBF10. Ontem tivemos todo o cerimonial de abertura, que provavelmente você já leu no PublishNews, mas hoje as portas da feira se abriram definitivamente para o público.

Uma multidão que faz o metro de São Paulo às 17h ter um concorrente à altura! E comecei bem o dia: o trem do hotel para o centro da cidade parou por uns cinco minutos, não consegui entrar no metrô para chegar à Messe e acabei chegando 5 minutos atrasado ao Brasilian Business Breakfast, onde dei um overview dos players do mercado digital no Brasil.

Bom: apresentação feita, suor enxugado, e tenho agora um dia não muito cheio pela frente, penso que vou poder conhecer um pouco da minha primeira FBF. “Sonho meu, sonho meu; vai buscar quem mora longe, sonho meu…” – lembra da Marron cantando isso? Pois é, ficou no sonho a ideia de que teria algum tempo.

Ao final da apresentação, várias pessoas vieram conversar, surgiu uma nova reunião, mais uma ali, outra apresentação/palestra… olho no relógio e já são quase 17h! Vixi, estou no pavilhão 4 e tenho um evento no 8. Se você nunca veio à Feira, talvez não consiga imaginar o que é isso. Mas pra quem mora em São Paulo (ou conhece a cidade um pouco), pense em andar a Av. Paulista do Paraíso à Consolação. É mais ou menos isso…

Às 18h30 dou uma passada final no estande do Brasil, e tenho o prazer de reencontrar os meus amigos Ubiratan Brasil e a Isabel Coutinho. Pena que foi muito corrido porque cada um tinha que aproveitar a sua carona e também ainda escrever para seus jornais. Mas foi bom revê-los. Ah! E ainda conheci o Guilherme, do Globo. Ainda vamos nos encontrar para um café por aqui.

E depois de um dia que nem vi passar, a noite foi maravilhosa com meus amigos, que me convidaram para jantar no Flemings Club. Uau! Que lugar maravilhoso. E uma vista muito bonita da cidade. Mas o chique mesmo é o elevador: ele não tem parada. O lado direito desce e o esquerdo sobe. Faz isso de forma lenta e você entra e sai em movimento. Ficamos “brincando” e tirando fotos como verdadeiras crianças. Mas o que é a vida sem uma boas risadas? Mesmo que pareçam bobas aos outros. Eu me diverti e meus amigos também.

E a noite terminou no Franfurter Hof. Aqui o mundo editorial frankfurtiano se encontra nas noites pós FBF. Quem não veio ainda, não pode perder o próximo ano. Quem já veio, espero encontrar de novo. E quem está por aqui, a gente se encontra – ou não, pois pode ser meio difícil num lugar tão grande – ainda esta ano e come um “genuíno” cachorro quente alemão (pra falar a verdade, não sei nem se a salsicha desses é alemã mesmo!).

Continuamos firmes no Twitter, no Facebook, na newsletter e no site. Ufa! Tá pensando que cobrir a Feira de Frankfurt é só salsicha e cerveja? Aqui o elevador não para – um desce e outro sobe. O tempo todo.

A gente se vê!

Categorias:Feiras, Frankfurt

O dia anterior

5 de outubro de 2010 Deixe um comentário

É 5 de outubro, terça-feira. À noite acontece a abertura oficial da Feira de Frankfurt, mas antes, das 8h30 às 17h, rola o TOC – Tools of Change – Frankfurt. Um grande encontro de palestrantes, “palpitantes” e “ouvidores” do mundo digital do livro. Muita coisa interessante – e muitas já batidas para os mais experientes – foram ditas e apresentadas. Leia a matéria Google e Kobo mostram as garras onde o Carlo conta sobre este “dia digital” por aqui.

Mas o meu dia não começou lá muito bem. Uma despencada de pressão, unida a um estômago meio revoltado, me fizeram tomar o rumo de volta ao hotel antes mesmo do final das palestras da manhã no TOC Frankfurt. Felizmente foi temporário, e no meio da tarde já estava de volta “à lida”, como dizia a Dona Floriza, minha querida avó.

Mais alguns minutos de TOC, alguns encontros com brasileiros, que invadiram em bando a conferência, demonstrando – pelo menos pra mim – que estão ligados no mundo digital e que sabem que não podem deixar “o bonde passar”.

Mas chegou a hora da abertura oficial da Feira de Frankfurt 2010. Saí correndo, atravessei a rua e topei com um policial alemão dos menores que tem por aqui – só uns 2 metros de altura. “Opa, tem que dar a volta.” (claro que já está traduzida a fala dele!)

Achei meio estranho, mas apertei o passo e contornei a área. Cheguei, alguns minutos atrasado, mas consegui entrar no belo auditório onde a cerimônia já havia começado. Aquela mesma lista de parlatório de todo evento de um porte como a FBF. Mas entendi a presença da Polizei de 2 metros pra cima à entrada do local: a Sra. Kirchner, presidente da Argentina, se fazia presente, junto com ministros e autoridades portenhas estavam presentes para a abertura desta Feira que tem a Argentina como país convidado. Valeu mesmo a palavra da escritora argentina Griselda Gambaro. Um belo discurso pela independência e pelo poder da literatura na transformação da sociedade e na luta pelos direitos do cidadão. E é uma senhorinha muito simpática!

À direita, Griselda. Acompanhada por Elsa Osterheld.

A melhor parte do dia foi o final da abertura oficial. Houve um coquetel, onde só tomei um copo de Coca-Cola!, que foi a primeira ótima oportunidade de encontrar novas pessoas: dois casais do Egito, de editoras diferentes e com approaches totalmente diferentes também foram os primeiros que conheci. Depois o diretor de uma editora de livros de medicina e mais alguns editores alemães. Foi muito legal conhecer o Kritian, editor islandês que está à frente do projeto da Islândia como país convidade de honra da Feira em 2011. E tudo isso devo ao meu grande amigo (em todos os sentidos) Jens Bemmel, secretário executivo da IPA (International Publishers Association). Valeu, Jens!

E terminei o dia jantando com o Carlo no Leib & Seele – onde quase não cheguei porque deixei o mapa em cima da cama… mas ainda bem que deu certo: e comida era ótima e a cerveja também! (que dúvida!)

Bem, o dia hoje não foi lá muito empolgante, mas amanhã “o bicho pega”. Às 9h da madrugada (porque no Brasil serão 4h!) estarei participando de uma apresentação do mercado editorial brasileiro para editores estrangeiros. A minha parte? Falar sobre o mercado digital… Depois eu conto como foi.

Fiquem ligados aqui no blog, na nossa newsletter e acompanhe também a gente no Twitter (@publishnews).

Fui!

Categorias:Feiras, Frankfurt

A mais bela do mundo

4 de outubro de 2010 Deixe um comentário

Até agora, minha viagem a Frankfurt teve muito contratempo, muita coisa deu errada, mas algumas têm sido bem legais. Pra ser bem honesto, depois da saga das 30 horas de viagem, as coisas melhoraram muito. Mas as 30 horas atrapalharam bastante o plano de viagem.

De qualquer maneira, ontem o dia foi maravilhoso com o meu amigo Theo, como você pode conferir no post anterior. Hoje pela manhã, nos encontramos com o Fernando Alves, que estava na pequena e bucólica Nettetal (ele veio se encontrar conosco em Colônia) para um café, na praça da catedral Dome e um papo de trabalho – mas é lógico que isso não impediu alguma descontração.

Enquanto nos preparávamos para a viagem de trem para Maastricht, onde visitaríamos a livraria Selexyz Dominicanen, percebemos que o trem teria um horário muito apertado e a correria seria muito grande, com a possibilidade de não conseguir fazer tudo o que queria. Fui ver um carro para alugar, e descobri que ele custaria no máximo dois terços do custo do trem para o Fernando e eu. Sem dúvida! Carro alugado, pé na estrada. Eu sempre sonhei em “testar” as estradas alemãs… só 190Km/h porque a rodovia estava com muito tráfego. “Pena”.

Em uma hora e meia, estávamos em Maastricht. Agora era hora de encontrar a livraria. Rua aqui, ruinha ali… estacionar o carro e continuar à pé porque o centro da cidade é fechado para carros. E saímos a caminhar pela pequena e antiga cidade – e bota antiga nisso!

Desço uma escadaria e passo ao lado de um shopping que, por incrível que pareça, convive em harmonia com as construções de séculos e séculos atrás; outra escadaria, essa é pra subir. Um pátio, um café… próxima à esquerda. E lá está: Selexyz Dominicanen. A mais bela livraria do mundo, segundo o jornal britânico The Guardian.

E eu quase que diria que chamá-la de “mais bela do mundo” é pouco, mas acho que não vou encontrar outra definição. É realmente maravilhosa! Uma igreja construída junto ao mosteiro, em uma cidade fundada antes de Cristo, se transformou numa lindíssima livraria. Sem dúvida alguma, a mais bonita que eu já vi. E acho muito difícil encontrar alguma que se iguale.

Mas não vou contar muito da história aqui, porque em breve você vai ler uma matéria completa, e ver muitas fotos, dessa livraria fantástica. Fique ligado no PublishNews para conhecer mais.

Agora é hora de descansar um pouco, pois amanhã tem a cobertura ao vivo do Tools of Change, direto aqui de Frankfurt, pelo Twitter do PublishNews. Acompanhe lá.

Categorias:Frankfurt, Na livraria

PublishNews 30 horas – e não é banco!

3 de outubro de 2010 Deixe um comentário

É isso. Foram 30 horas de viagem de São Paulo a Colônia. Foi um verdadeiro teste de resistência paras as partes sentantes… mas, como dizia meu velho pai, “entre mortos e feridos salvaram-se todos”!

Já dormi, acordei, tomei um delicioso café na casa do meu amigo Theo Roos e passamos um belo dia andando pela cidade de Colônia. Tem até um álbum com mais de 150 fotos do dia, que você pode dar uma olhada.

Posso dizer que as 30 horas – graças à Ibéria – tiveram a sua compensação (mas nunca mais voo com eles!). E o “papai do céu”, ajudou bastante também: um dia lindo, depois de ontem ter sido um dia bem feio e chuvoso por aqui.

Digo “por aqui” porque escrevo direto da casa do Theo, um agradável apartamento de cobertura, ao lado de dois

parques e com um terraço donde avisto as duas torres da Dome Cathedral. Entendi perfeitamente quando ele me contou que ao conhecer este apartamento, pensou: “Este é o lugar onde preciso morar.”

Nosso dia foi uma delícia. Tomamos café juntos – Theo, Madeleine (a esposa), Lili (a filha de oito anos) e Rapha

el (o caçula de dois anos e meio). Depois, Lili foi pra casa de uma amiga e fomos caminhar por Colônia – Köln, como dizem os alemães. Uma cidade que foi reconstruída quase totalmente após duas Grandes Guerras, sempre tem alguma história pra contar. Ou muita. Como não tínhamos muito tempo, e hoje era domingo, portanto quase tudo estava fechada exceto lugares para se

comer e beber, o dia foi de muito papo.

E hoje era também o dia da tradicional Maratona Anual de Colônia, que rola todo primeiro domingo do mês de outubro. Ah!, é claro que do terraço (e da sala de jantar) do apartamento do Theo também dava para acompanhar uma parte do trajeto, quando os competidores passam pelo parque. Vimos os corredores iniciantes, que na verdade correm só “metade”, depois

uma corrida de rollarbles e, finalmente, os atletas de verdade. Saímos da casa quando já corria a última turma, a dos profissionais. Por duas ou três vezes precisamos mudar o nosso trajeto por causa dos corredores, mas foi legal porque a cidade estava animada e cheia. Achei até uma “supermini bateria de escola de samba”, que tentava fazer um som à Olodum em terras germânicas, para animar os competidores. E não é que os caras mandaram direitinho? Sem exageros, é claro.

E o nosso dia fluiu por entre fotos, conversas, cafés, kölsch e Schweinebraten. Um dia ensolarado, emoldurado por prédiosantigos, muitas igrejas romanas e a famosa gótica catedral Dome. Por todos os lados, muita história escrita em imagens, formadas pelas belas construções. E tudo banhado pelo Reno, rota fluvial de grande importância econômica para toda a Europa, que começa na Suíça e vai chegar ao porto holandês de Roterdã. Terminamos o dia no “Sion Brauhaus”, falando do valor de não se querer dominar cada segundo da vida, mas deixar o tempo fluir e nos levar a momentos tão bons como esse dia que passamos.

Amanhã vamos conhecer a livraria que, segundo o jornal britânico The Guardian, é a livraria mais bela do mundo, na cidade holandesa de Maastricht. Depois conto pra vocês e mostro as fotos. Sigam o @publishnews e o @ricardo_costa no Twitter que ficarão sabendo das coisa mais rápido ainda.

Categorias:Feiras, Frankfurt

A primeira Frankfurt você nunca esquece…

3 de outubro de 2010 Deixe um comentário

… especialmente se viajar pela Ibéria.

O dia estava meio cinza, “chuvento”, mas não muito frio em São Paulo. Depois de enfrentar um bocado de trânsito para chegar ao aeroporto, culpa de dois caminhões quebrados no caminho, nos apresentamos pro check in dentro do prazo sugerido. Claro, somos “meros passageiros” (e você vai entender isso daqui a pouco) então devemos ser cuidadosos com as regras ou não temos direito algum.

Atendimento muito bom no balcão da Ibéria, cartão de embarque na mão. Vamos relaxar e fazer um lanchinho. Temos uma hora pra isso. As coisas continuam indo bem, obrigado.

Lanchinho feito. Descansados. Hora de passar pela alfândega. Hum… isso vai levar algum tempo. Melhor preparar o nível de paciência…

Poxa, nem doeu! … A fila andou rápido, passei sem nem apitar nada, que coisa. Parece que desta vez a viagem vai ser agradável… calma, nem começou ainda. Parada rápida no free shop. E continuamos a caminhada. O portão é lá no fundo do terminal. Tranquilo. Lugar disponível pra sentar, tomada pra recarregar o celular e o notebook, será mesmo que vai ser assim tudo de bom?

É claro que não.

Voo previsto para 19h30. São 18h40 e a funcionária da Ibéria liga o microfone: “Senhores passageiros do voo Ibéria 0000, com destino a Madri. Devido a problemas operacionais, o voo vai atrasar alguns minutos e o novo horário previsto de partida é 19h15, mas pode antecipar. Obrigada.”

Hein?! Como assim? O voo seria às 19h30; vai atrasar e vai sair às 19h15, podendo antecipar?! Que coisa maluca é essa? E não é que a moça repete?! Meu amigo e companheiro de viagem vai conferir essa loucura – estou tomando conta do notebook que está recarregando…

“Ah, bom. Agora sim. A tripulação está presa no trânsito na Marginal e se atrasou. O que foi adiado foi o embarque. A decolagem ainda pode acontecer sem muito atraso.” (Esse foi o Fernando, meu companheiro de viagem)

Entendeu agora porque escrevi “meros passageiros” no primeiro parágrafo? Se qualquer passageiro ficasse preso na Marginal, ou em qualquer outro lugar, “tava ferrado”. Mas vamos continuar.

Com cerca de uma hora de atraso, estávamos prontos para decolar. Preocupante, já que nossa conexão em Madri tinha apenas uma hora de intervalo. Mas vamos ter fé.

Mais alguns minutos e começamos a rodar pelas pistas do Aeroporto Internacional Governador Franco Montoro – o nome é quase maior do que o aeroporto.

Clanc. Plunk, Noc, noc… Clunc… Clunc… Clunc…

Ô-oh…

“Señores pasajeros. Habla el comandante. Tenemos un barullo en la bodega e vamos a parar para verificación. Esso no demora mas de 5 a 10 minutos.” – desculpe, fraquíssimo o meu portunhol, mas foi mais ou menos isso que ele disse. De qualquer maneira, você entendeu: vamos atrasar mais.

Os dez minutos se tornaram quinze ou vinte. Ufa, agora vai! Nada!

“Tem um barulho aqui. O barulho é aqui embaixo da minha poltrona. Eu não vou voar nesse avião!”, gritava uma passageira tresloucada, com todo apoio de seu companheiro. E lá se foram mais dez minutos até que o comandante da aeronave viesse e dissesse: “Temos total segurança, dois pilotos e quatro mecânicos verificaram tudo, e vamos partir. Esse barulho deve ser tal coisa [desculpa, ele falava espanhol e não entendi].”

Dona Louca ficou mais louca ainda: “’Deve ser’ não significa que é. Você não tem 100% de certeza! Quero descer. Não vou viajar neste avião!”, bradava pra todos ouvirem.

“Se eu tivesse 100% de certeza não seria comandante, seria Deus.”, encerrou a discussão. E vamos nos por novamente em movimento. Resultado? Duas horas de atraso!

Adivinha o que aconteceu com nossa conexão em Madri!

Barajas, aeroporto de Madri. Um A340 lotado aterrissa; metade dos passageiros desembarcados têm problema de conexão e o balcão de atendimento da Ibéria tem apenas dois atendentes! Imagina agora o tamanho da fila. “Ai Jesuis, pensei que era só em terras Tupiniquins…”

Bom, quinze minutos depois chegam mais duas atendentes. E a fila anda um pouco melhor. Nossa vez.

“Tínhamos uma conexão para Frankfurt, mas não vamos ficar em Frankfurt, ainda continuaremos viagem até Colônia e Nettetal. Se formos muito tarde não conseguiremos […]” – quem disse que a mocinha estava me ouvindo? Nem uma palavra. “Seu voo é às 19h50. Todos os anteriores estão lotados. Aqui está sua passagem, desça até o HJK e procure nosso atendimento para receber o voucher. Próximo!!” [essa já foi a legenda; não me atrevo a tentar escrever o que ela disse em espanhol]

Desistimos. Talvez lá onde pegamos o voucher, consigamos pelo menos conversar. Verdade. Conseguimos conversar. Finalmente alguém atencioso e educado. Mas… claro que não é possível.

Abre parêntese.

Faltou contar que “achamos” nosso colega das letras Alfredo Weizsflog na bendita fila do primeiro atendimento – na verdade, ele já havia sido atendido quando nos vimos. Mas encontrá-lo foi a parte boa dessa história.

Fecha parêntese.

Tá ficando grande essa história, mas não consigo resumir uma saga de, até aqui 25 horas, em menos palavras – e olha que estou escrevendo no avião, ainda a caminho de Frankfurt. E aí tem mais história…

Almoçamos com o Alfredo e depois fomos a um café, tomar o dito e trabalhar um pouco numa área wi-fi. E ouvir algumas boas histórias do nosso companheiro. Mas isso fica pra outro post.

Ótimo. Hora do embarque. Vamos ao portão, “o qual seja”, K87. Uma caminhada boa, mas sem estresse. Ainda deu tempo pra um sorvete. Hora do embarque. Graças a Deus! Agora vamos.

Será?

Todos a bordo. Portas trancadas. Tripulação pronta para decolagem. Para decolagem… decolagem… … … …

“Señores pasajeros, por problemas de tráfago en el aeropuerto de Madrid, tenemos un atraso e decolaremos a las 8:30. Pero en diez minutos estaremos saliendo para nos posicionar en la pista.” [de novo, algo mais ou menos assim, que o meu pobre portunhol não permite fazer melhor]

E aqui estou, torcendo para conseguir chegar a Frankfurt em tempo de ainda pegar o trem para Colônia, onde meu amigo, o filósofo-diretor de documentários-roqueiro, Theo Ross, me espera.

Vou dormir um pouco pra ver se o tempo passa mais rápido.

Categorias:Feiras, Frankfurt
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