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O que achei do iPad

22 de abril de 2010 Deixe um comentário

Já escrevemos muito aqui a respeito do que outros pensam do iPad; ou suas primeiras impressões de uso. Na quinta-feira passada, 15/4, o Luiz Eduardo – analista da Dualtec e membro da diretoria da CBL (e amigo deste que vos escreve) – nos emprestou um para testes aqui no PublishNews. De maneira direta, depois vou elaborar melhor, me parece mais um substituto do (ou o verdadeiro) netbook, do que um e-Reader. Aliás, nessa função eu diria que para os livros ditos tradicionais, ele não leva nenhuma vantagem no geral, e perde no quesito peso. Mas se entrarmos no campo da transmídia, interatvidade, som e imagem, aí ele bate forte. E também é preciso considerar os leitores que vêm da próxima geração: aquela galera que já nasceu lendo na tela de computador.

É claro que a interface gráfica do iPad não tem nível de comparação com os e-Readers, mas aí voltamos à questão da funcionalidade do “aparelhinho” de Steve Jobs e dos outros da turma de Jeff Bezos. Para que você quer usar o seu iPad?

Durante a primeira madrugada de testes, minha primeira dificuldade foi encontar a posição para trabalhar. O seu formato seduz (pede que) você a usá-lo sem apoiar numa mesa, sentado, deitado ou até mesmo em pé. Mas o seu peso aumenta o esforço para tentar mantê-lo numa posição possível de ler, tocar e escrever – no ótimo teclado virtual. Depois de muito me virar, achei uma posição apoiando-o parte na minha perna e parte no braço da poltrona em que eu sentava naquela noite/madrugada.

Resolvida, pelo menos em parte, a questão da posição de trabalho, comecei a focar em tarefas que executo no dia a dia: Twitter, navegação na internet, e-mails e alguns textos. No Twitter a experiência ainda não é das melhores: suas Apps adaptadas do iPhone ainda não rodam com a maior eficiência. O TweetDeck, minha preferência atual para uso no notebook ou desktop, não atualiza rápido e quando atualiza rola as telas tão depressa que você perde um sem número de tweets. Tentei também o Twiterrific, mas sua interface não permitia que editasse os RTs antes de enviá-los.

Já a navegação na internet foi um supersucesso. Rápida e fácil. E como eu já havia encontrado a posição para trabalhar, digitar e interagir com a tela por meio do touch foi extremamente fácil e funcional. Depois de algum tempo “achei” uma nova posição de trabalho muito boa: no estilo prancheta, segurando apoiado num braço e teclando apenas com uma das mãos (funciona super bem com o iPad no “formato portrait”). Estava teclando com bastante rapidez nessa posição. O uso de e-mails e a produção de textos também são bem eficientes no “aparelhinho”.

Para aqueles que escreveram em suas avaliações que o problema é a falta de um mouse, respondo que eles perderam totalmente o “x” da questão. Exatamente um dos grandes fortes do iPad é não precisar do mouse – e pra mim também não precisa do teclado. Quanto menos periféricos, melhor. Eu acho.

Mas tenho certeza que você está lendo tudo isso aqui porque quer saber sobre a iBookstore.

iBookstore e muito mais…

Estou errado? Ou melhor, quer saber sobre e-Books em geral, no iPad. Certo? Vamos lá então. Começando pelo mais convencional, a iBookstore. Não vou analisar a quantidade de títulos disponíveis, mas o seu funcionamento e o uso para leitura. Pra variar, Mr. Jobs se saiu muito bem no quesito interface gráfica. O visual é ótimo e é muito fácil interagir – e comprar – com a iBookstore. Dois ou três cliques e o livro já está na sua estante. E os samples (gratuitos) dão uma boa ideia do livro que você está considerando comprar (não é só uma pequena amostra com uma ou duas páginas).

No quesito leitura, o iPad começa perdendo para os rivais que são desenhados especificamente para esse fim – leitura digital. Dependendo da posição e da quantidade de luz, o reflexo pode atrapalhar um pouco, embora exista um botão de controle da luminosidade. É claro que a tela touch e o efeito visual que parece uma página “de verdade” sendo virada, dão um certo “stile” ao e-Book de Jobs, mas o que importa mesmo é o conforto na leitura. E nessa questão, além da luminosidade, “pesa o peso” do “aparelhinho”. Sem um ponto de apoio, segurá-lo por muito tempo para ler pode ser desconfortável – ou pode ser um bom exercício para os bíceps!

Mas quando saímos do e-Book “convencional” e passamos aos produtos interativos, com multimídia, ou mais ainda, vamos para os transmídia, a história muda bastante. É claro que o peso continua sendo uma questão a ser considerada, mas aqui onde texto, imagem, som, internet, etc interagem com muita facilidade e eficiência, os e-Books passam a um outro nível de entretenimento. E nesse tipo de produto, aí sim o iPad hoje é imbatível. A versão light de Alice no país das maravilhas é bem legal e Toy Story, da Disney, é um show de livro com trilha sonora, que interage com cenas de animação e narração empolgante. Esses são apenas dois exemplos iniciais, que demonstraram, para mim, o grande potencial do iPad no campo do livro ditital – que talvez em breve nem tenha mais esse nome.

Bem, para colocar um ponto final nessa primeira análise do “nettablet” de Steve Jobs, eu diria que como e-Reader é um ótimo tablet; e como tablet é um ótimo netbook, com excelentes qualidades gráficas e uma tendência de muitas mudanças, não só no mercado de informática e tecnologia onde ele nasceu, como também no mercado editorial, que é onde estamos, e em muitos outros mercados.

Não tem outro jeito; é esperar para ver.

Categorias:Tecnologia
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