Arquivos

Arquivo para a categoria ‘Análise’

A lista de mais vendidos de 2012

7 de janeiro de 2013 Deixe um comentário

Na última semana de 2012, publicamos nossa lista anual de livros mais vendidos. Como começamos a fazer a lista em setembro de 2010, o ano passado foi o segundo ano completo de nossas estatísticas semanais. Vale a pena, portanto, uma análise mais profunda da lista de 2012. Aliás, vale aqui lembrar que a Folha de S.Paulo publicou logo no dia 3/1 uma matéria sobre a presença de autores brasileiros nas listas de ficção e não-ficção totalmente baseada na lista do PublishNews. E, segundo o maior jornal brasileiro, “a aferição feita pelo PublishNews é considerada hoje pelas editoras a mais confiável do país”.

Em primeiro lugar, vamos aos campeões de cada categoria em 2012:

  • Ficção: Cinquenta tons de cinza, E. L. James, Intrínseca
  • Não-ficção: Nada a perder, Edir Macedo, Planeta
  • Infanto-juvenil: Agapinho, Padre Marcelo, Globo
  • Autoajuda: Nietzsche para estressados, Allan Percy, Sextante
  • Negócios: O monge e o executivo, James Hunter, Sextante

O campeão da lista geral foi o best-seller mundial Cinquenta tons de cinza, seguido pelo segundo volume da série, Cinquenta tons mais escuros, e pela autobiografia de Edir Macedo, Nada a perder, que evitou um pódio completamente erótico ao empurrar o terceiro livro da coleção, Cinquenta tons de liberdade, para a quarta posição.

O ranking geral de editoras também traz alguns dados interessantes. O ranking baseia-se no total de títulos diferentes que as editoras tenham conseguido emplacar nas 52 listas semanais do ano, não importando o tempo de permanência dos mesmos. O ranking de 2012 ficou assim:

  1. Sextante, 64
  2. Record, 42
  3. Companhia das Letras, 30
  4. Intrínseca, 29
  5. Novo Conceito, 28
  6. LeYa, 27
  7. Ediouro, 25
  8. Santillana, 22
  9. Gente, 20
  10. Planeta, 18 | Saraiva, 18

Em comparação com 2011, a primeira e a segunda colocação se mantiveram, embora o número de livros emplacados tenha caído. No ano passado, a Sextante garantiu seu primeiro lugar com 73 títulos na lista, e a Record emplacou 59. Já nas demais posições houve mudanças. Ediouro e Companhia das Letras, por exemplo, trocaram posições. Se em 2011 a editora paulista ocupava a sétima posição, em 2012 ela chegou a um significativo terceiro lugar, em parte graças ao novo selo Paralela, que emplacou sozinho sete livros na lista. A Ediouro, por sua vez, apresentou uma forte de queda de livros na lista, saindo dos 44 emplacados em 2011 para apenas 25 este ano. Com isto, caiu da terceira para a sétima colocação.

Enquanto a Intrínseca manteve sua quarta posição com uma queda sutil no número de livros colocados na lista semanal, de 31 em 2011 para 29 em 2012, a Novo Conceito apresentou uma explosão no número de títulos que apareceram nas listas de semanais de 2012. Se em 2011, a editora ribeiropretana emplacou 13 títulos que lhe garantiram uma 12ª posição compartilhada no ranking anual, neste ano a empresa emplacou 28 títulos e subiu à quinta posição isolada.

Ainda merecem destaque a LeYa que, na sexta posição, também subiu dois degraus em relação ao ranking de 2011 quando emplacou apenas 21 livros; e a Santillana, grupo da Objetiva, que caiu da quinta para a oitava posição ao emplacar quatro livros a menos nas listas semanais de 2012.

No total, 523 títulos de 81 editoras ou grupos editoriais apareceram pelo menos um vez nas listas semanais de mais vendidos em 2012.

Voltando a lista de mais vendidos geral, se compararmos 2012 com 2011, veremos que o total de exemplares vendidos nas redes apuradas pelo PublishNews dos livros top 20 no ano passado foi 31% superior em relação ao ano anterior. Em 2011, o total de venda dos 20 maiores best-sellers foi de 1.935.868 exemplares contra 2.536.213 em 2012. Já o primeiro colocado de 2012, Cinquenta tons de cinza, superou a marca de exemplares vendidos do campeão de 2011. O megaseller Ágape vendeu nas 12 redes de livrarias apuradas 518.084 exemplares no ano retrasado, enquanto o atual megaseller erótico alcançou a marca de 583.768 exemplares no ano passado. Mas um detalhe: a marca de Ágape foi obtida ao longo dos 12 meses de 2011, enquanto Cinquenta tons de cinza foi lançado em agosto e teve apenas cinco meses para obter sua marca.

Como sempre se discute no mercado em qual lista é mais fácil emplacar um lançamento, é interessante observar o gráfico e abaixo. Ele traz uma curva para cada lista, apresentando os números apurados no ano para cada uma das 20 posições. É claro neste gráfico que a lista de ficção é a mais difícil para se emplacar livros, seguida pela de não-ficção e pela infanto-juvenil e, logo depois, das listas de autoajuda e de negócios. Vale notar, ainda, que a partir da sexta posição do ranking, as distâncias entre as curvas tende a diminuir bastante.

grafico

Português Público ouve PublishNews

3 de novembro de 2012 Deixe um comentário

Na última terça-feira, 30 de outubro, o jornal portugês Público publicou a matéria “Penguin+Random House = o maior grupo editorial do mundo”, assinada pela excelente jornalista Isabel Coutinho. Na matéria, pude, em nome do PublishNews, dar meus pitacos sobre a questão. Clique na imagem abaixo para baixar a matéria em PDF.

Clique aqui para baixar o PDF da matéria

A fusão entre a Penguin e a Random House

30 de outubro de 2012 1 comentário

Na última segunda-feira, 29/10. as megaempresas Bertelsmann e Pearson anunciaram a fusão de suas unidades de livros, a Random House e a Penguin, respectivamente. Segundo a pesquisa The Global Ranking of the Publishing Industry de 2012, elaborada pelo consultor austríaco Rüdiger Wischenbart, a Random House faturou US$ 2,26 bi em 2011, enquanto a Penguin faturou US$ 1,61 bi. Ainda que a Random House alemã não faça parte da fusão, a Penguin Random House será uma editora hercúlea com um faturamento anual na faixa dos US$ 4 bi, como a própria Publishers Weekly está prevendo. A nova empresa terá participação de 53% da Bertelsmann e 47% da Pearson. John Makinson, CEO da Penguin, será o presidente do conselho  da Penguin Random House, enquanto o atual CEO da Random House, Markus Dohle, será o CEO da nova editora. Ainda falta passar muita água debaixo da ponte para que a fusão de fato se inicie e, mais água ainda, para que termine. As empresas esperam efetivar a fusão apenas no segundo semestre de 2013 – isto após aprovação de órgãos reguladores.

O mercado foi pego de surpresa, mas a verdade é que a indústria editorial já vem se consolidando faz tempo. O grande número de selos e editoras adquiridas pela própria Random House é a maior prova disso. E em algum momento uma fusão entre duas das Big Six – como são chamadas as seis maiores editoras dos EUA – tinha de acontecer. O que parece ter surpreendido mais o mercado foi o fato de que esta fusão tenha acontecido justamente entre a Penguim e a Random House, e não tenha envolvido empresas cujos grupos controladores não possuem tanto foco na indústria de livros, como a Harpercollins da News Corp ou a Simon & Schuster da CBS. Afinal ambas pareciam candidatas naturais a serem vendidas ou fundidas. Vale lembrar, no entanto, que segundo o Sunday Times do último domingo, a News Corp queria fazer uma oferta pela Penguin, e que recentemente a Harpercollins adquiriu a maior editora cristã dos EUA, a Thomas Nelson. Portanto, a News Corp parece ter mais interesse no mercado de livros do que muitos achavam.

Outro motivo para que esta fusão não seja uma surpresa é que ela faz todo o sentido do mundo sob uma análise global. Ambas as empresas já são fortes nos EUA e no Reino Unido, então não estaria aí a explicação para o interesse das empresas em juntar seus trapos. Mas quando se olha para os negócios globais da Penguin e da Random House, o casamento é perfeito. Além dos EUA e do Reino Unido, a Random House está presente na Austrália, Nova Zelândia, Canadá, África do Sul e Índia. E, mais importante ainda, é uma das maiores editoras em espanhol do mundo por meio da Random House Mondadori, com forte presença na Espanha e na América Latina espanhola.  Já a Penguin também está presente nos mesmos países de língua inglesa, e sempre deu bastante importância ao mercado indiano onde su atuação é mais visível que a da Random House. Mas, mais importante que isso, é presença da Penguin na China e sua participação na Companhia das Letras no Brasil. Juntas, as duas empresas passam a uma posição extremamente forte ou de domínio nos mercados de língua inglesa fora dos EUA e Reino Unido, e a Penguin Random House já teria forte presença na América Espanhola, China e Brasil. Ou seja, do ponto de vista global, é um casamento perfeito.

Não é por acaso que o press release oficial da Bertelsmann traz a seguinte declaração do CEO e chairman Thomas Rabe: “Em primeiro lugar, a combinação da Random House e da Penguin fortalece significativamente a edição de livros, um de nossos principais negócios. Em segundo lugar, ela leva a transformação digital para uma escala ainda maior; e, terceiro, aumenta nossa presença nos mercados-alvo em crescimento do Brasil, Índia e China[grifo nosso]. Ou seja, a fusão deu ao grupo alemão um atalho rápido para estes mercados já tão bem ocupados pela Penguin.

Já John Makinson, CEO da Penguin, lembrou no e-mail que enviou para todos os funcionários que a “nova empresa englobará todos os interesses da Penguin e da Random House nos idiomas inglês, espanhol e português[grifo nosso]. Neste caso, seria a Penguin que daria o pulo do gato em espanhol, mesmo porque o próprio Makinson confessou não ter uma estratégia para a América Latina, mas apenas para o Brasil, em entrevista concedida exclusivamente ao PublishNews Brazil.

A consolidação parece então ter consequências maiores nos mercados internacionais em que as duas empresas atuam do que nos mercados domésticos dos EUA e Reino Unido, até porque ambas estão garantindo que manterão seus selos e suas culturas editoriais.

No Brasil, em particular, a Companhia das Letras sem dúvida sai muito fortalecida. Não apenas por ter entre seus sócios a editora mais poderosa do mundo, mas principalmente por ter um acesso privilegiado aos selos e catálogos da Penguin Random House. Por exemplo, assim como já existe o selo Penguin-Companhia das Letras, poderiam surgir outras combinações semelhantes com selos da atual Random House. Só imaginar um selo Alfred A. Knopf-Companhia das Letras, por exemplo,  já daria água na boca nos apaixonados por literatura de alta qualidade. Mas a Random House ainda possui muitas outras opções entre seus mais de 50 selos, alguns deles bem mais comerciais. Mas será a maior proximidade ao catálogo destes selos que fará diferença positiva para a Companhia das Letras. É claro que a Random House continuará vendendo direitos para todas as editoras brasileiras e que não haverá nenhuma exclusividade com a Companhia das Letras. Mas também é óbvio que a Companhia ganha um acesso privilegiado às novidades e ao catálogo da Random House, além da óbvia preferência por parte do sócio estrangeiro. E esta será uma grande vantagem para a empresa fundada por Luiz Schwarcz. Uma vantagem que já deve estar tirando o sono da concorrência…

The Brazilian Bestsellers

22 de outubro de 2012 1 comentário

Na última Feira de Frankfurt, fiz uma apresentação no estande brasileiro sobre os bestsellers brasileiros – ou seja, fui falar de padre! A palestra foi filmada e pode ser vista abaixo:

 

 

Já a apresentação em power point está disponível aqui:

 

Brasil fica em 9º lugar em ranking global de mercados editoriais

8 de outubro de 2012 6 comentários

O esforço do consultor Rüdiger Wischenbart para mapear as indústrias livro do mundo todo começou em 2011 provavelmente em seu escritório no bairro de Josefstad, em Viena, ou mais possivelmente em um dos cafés que fazem parte do cotidiano de qualquer cidadão austríaco. O projeto é patrocinado pela International Publishers Association (IPA), com apoio da Feira do Livro de Londres e da BookExpo America, mas a metodologia e pesquisa ficam por conta do consultor conterrâneo de Mozart.

Os resultados iniciais da pesquisa começaram a aparecer no primeiro semestre deste ano, na Feira de Londres e na BookExpo America, quando um ranking preliminar dos mercados por país foi apresentado. Trata-se, no entanto, de um trabalho ainda em desenvolvimento e, agora, na Feira de Frankfurt, que começa na próxima quarta-feira (10/10), a IPA divulga um ranking atualizado e mais completo, acompanhado de um mapa mundi que reflete o potencial da indústria editorial de cada país – o Global Map of Publishing Markets 2012 ou Mapa Global de Mercados Editoriais 2012, em bom português.


O ranking atualizado

 

Ranking País Faturamento das editoras em milhões de euros Valor de mercado em valores ao consumidor Novos títulos e reedições por milhão de habitantes
1 Estados Unidos 21.500 € 31.000 € 1080
2 China 10.602 € 245
3 Alemanha  6.350 € 9.734 € 1172
4 Japão 7.129 €
5 França 2.804 € 4.587 € 1242
6 Reino Unido 3.738 € 4.080 € 2459
7 Itália 1.900 € 3.417 € 956
8 Espanha 1.820 € 2.890 € 1692
9 Brasil 2.027 € 2.546 € 285
10 Índia 1.675 € 2.500 €
11 Canadá 1.535 € 2.342 €
12 Coréia do Sul 1.408 € 2.013 € 849
13 Rússia 1.875 €
14 Austrália 1.520 € 877
15 Turquia 1.150 € 474
16 Holanda 1.126 € 1412
17 Polônia 697 € 1.123 € 775
18 Bélgica 519 € 850 €
19 Noruega 304 € 808 € 9227
20 Suíça 806 €
MUNDO   105.614 €  

 

Como se pode ver, o Brasil ocupa uma honrosa 9ª posição com um valor de mercado ao consumidor final estimado em 2,54 bilhões de euros. Atrás da Espanha e à frente da Índia, o mercado brasileiro aparece consolidado como o maior da América Latina. Uma observação importante é que dada a forte participação do governo brasileiro no faturamento das editoras – em 2011 ela ficou em 28,7% –, o valor do mercado em preços ao consumidor fica subdimensionado se comparado com outros países onde a participação do governo é menor e a participação de toda a cadeia do livro na venda de livros didáticos torna os preços ao consumidor maiores. Neste estudo, nas vendas governamentais, o preço ao consumidor é igual ao faturamento das editoras, gerando, portanto, um valor de mercado relativamente menor. Se a participação do governo fosse ponderada no cálculo, o Brasil com certeza ganharia algumas posições.

Do ponto de vista negativo, chama a atenção o baixo índice de novos títulos e reedições por milhão de habitantes, que ficou em 285 e à frente apenas da China (245) entre os países onde tais dados estavam disponíveis.


O Mapa Global de Mercados Editoriais

 

The Global Map of Publishing Markets 2012

Este mapa mundi baseia-se em pesquisa do consultor Rüdiger Wischenbart e reflete o valor do mercado editorial ao preço do consumidor para cada país do mundo.

 

Para a elaboração do Global Map of Publishing Markets, foram necessários dados muito mais globais e de muito mais países do que os pesquisados para o ranking, e isto exigiu um trabalho em três passos. O primeiro deles foi coletar a maior quantidade possível de dados das melhores fontes disponíveis para a criação de um banco de dados com três indicadores primários: o faturamento líquido das editoras, o valor de mercado em preços ao consumidor e o número de novos títulos lançados e reedições. Estes dados basearam-se fortemente em associações nacionais de editores e correlatos. Para a maioria dos países, no entanto, somente o faturamento das editoras ou o valor de mercado estavam disponíveis.

O segundo passo foi pedir para que profissionais da indústria local fizessem uma análise crítica dos resultados iniciais obtidos. Neste momento, o corpo de dados também ganhou massa principalmente devido à inclusão de estatísticas de exportação dos maiores mercados exportadores (Reino Unido, EUA, França e Espanha), que serviram como ponto de referência para comparação.

O terceiro passo foi explorar o contexto da indústria editorial local, já que observou-se que os mercados editoriais refletem os parâmetros socioeconômicos de cada país e podem ser correlacionados de forma significante com o tamanho da população e a renda per capita. Isto permitiu que Wischenbart e sua equipe desenvolvessem um algoritmo ainda experimental para estimar sistematicamente o tamanho de mercados editoriais que não possuem dados disponíveis. As estimativas foram então cruzadas com os números de países com dados confiáveis e com as avaliações de profissionais locais.

Para a criação gráfica do mapa, utilizou-se a ferramenta Worldmapper a partir dos valores obtidos ou estimados.

Diga-me o que consegues ler e saberei o que publicar

19 de julho de 2012 8 comentários

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil possuía 14,1 milhões de analfabetos maiores de 15 anos em 2009, ou 9,7% desta população. Os dados foram publicados em 2010 na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e referem-se ao ano anterior. O número vem diminuindo timidamente. Era 11,5% em 2004, por exemplo. E, considerada a história social no Brasil, a taxa de analfabetismo nacional até surpreende de maneira positiva. Mas como o mercado editorial deve interpretar e analisar tais dados? Se 9,7% são analfabetos, isto quer dizer que o mercado potencial de compradores de livros é 90,3% da população acima de 15 anos? Infelizmente, ainda estamos longe disso, como mostra a pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), cuja edição de 2011 acaba de ser publicada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa.

A importante iniciativa completou 10 anos, e agora é possível uma visão panorâmica da década que vai entre 2001 e 2011. O grande diferencial do Inaf é que ele divide o analfabetismo em 4 níveis, sendo 3 referentes ao gurpo chamado de alfabetizados pelo IBGE. Vamos a eles:

Analfabetismo: corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases.

Nível rudimentar: corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como, por exemplo, um anúncio ou pequena carta).

Nível básico: as pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já leem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações.

Nível pleno: classificadas neste nível estão as pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais: leem textos mais longos, analisando e relacionando suas partes, comparam e avaliam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses.

Baseado nestes níveis, o Inaf demonstra que durante os últimos 10 anos houve uma redução do analfabetismo absoluto e da alfabetização rudimentar, assim como um incremento do nível básico de habilidades de leitura e escrita. No entanto, a proporção dos que atingem um nível pleno de habilidades manteve-se praticamente inalterada, em torno de 26%, como mostra a tabela abaixo:

INAF BRASIL 2001 a 2011

Evolução do Indicador de alfabetismo da pop. de 15 a 64 anos (2001 a 2011)

Níveis

2001
2002

2002
2003

2003
2004

2004
2005

2007

2009

2011

Analfabeto

12%

13%

12%

11%

9%

7%

6%

Rudimentar

27%

26%

26%

26%

25%

20%

21%

Básico

34%

36%

37%

38%

38%

46%

47%

Pleno

26%

25%

25%

26%

28%

27%

26%

Analf. e Rud.

Analfabetos funcionais

39%

39%

38%

37%

34%

27%

27%

Básico e Pleno

Alfabetizados funcionalmente

61%

61%

62%

63%

66%

73%

73%

base

2002

2002

2002

2002

2002

2002

2002

Obs.: Os resultados até 2005 são apresentados por meio de médias móveis de dois em dois anos de modo a possibilitar a comparabilidade com as edições realizadas nos anos seguintes.

Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, avalia a situação: “Apesar dos avanços, tornam-se cada vez mais agudas as dificuldades para fazer com que os brasileiros atinjam patamares superiores de alfabetismo. Este parece um dos grandes desafios brasileiros para a próxima década. Os dados reforçam a necessidade de investimento na qualidade, uma vez que o aumento da escolarização não foi suficiente para assegurar o pleno domínio de habilidades de alfabetismo: o nível pleno permaneceu estagnado ao longo de uma década nos diferentes grupos demográficos”.

Para aqueles que escolheram o difícil mas apaixonante ofício de produzir ou vender livros, o mercado potencial é justamente o grupo chamado na tabela de Alfabetizados Funcionalmente, que engloba os níveis Básico e Pleno, e que vem crescendo de forma satisfatória ao longo da última década. Basta observar que em 2001 o índice estava na casa dos 61% contra 39% de analfabetos funcionais, enquanto que no ano passado alcançamos 73% de alfabetizados funcionalmente contra 27% de analfabetos funcionais.

Mas o que mais interessa ao mercado do livro – e aos editores particularmente – é justamente a divisão dos alfabetizados nos níveis Básico e Pleno. Afinal, o segundo engloba aqueles que leitores que potencialmente poderiam adquirir e ler qualquer tipo de livro, mesmo um Dostoiévski ou um Nieztche. Já no nível básico, encontram-se pessoas que conseguem ler um livro, mas teriam sérias dificuldades com textos mais longos e complexos, que exigem grande capacidade de abstração ou elaboração intelectual. Ou seja, são aqueles leitores que nunca lerão os clássicos da filosofia e livros de não-ficção com profundidade analítica ou de conteúdo, mas compraram 8 milhões de exemplares de Ágape, do padre Marcelo, ou choram nas páginas dos livros de Nicholas Sparks.

E esta divisão entre básico e pleno torna-se ainda mais importante na medida que o primeiro grupo vem crescendo substancialmente, partindo de 34% em 2001 para chegar a 2011 com 47%. No mesmo período, o nível pleno manteve-se em 26%. Hoje, portanto 64% dos alfabetizados funcionalmente encontram-se ainda no nível básico e apenas 36% estão no nível pleno. Podemos não gostar da realidade, mas ela está muito clara nos números do Inaf: a maior parte do nosso mercado não tem capacidade para ler os livros resenhados em cadernos e revistas literários, mas leem, se educam, curtem e se emocionam com livros de conteúdo mais simples e de compreensão mais fácil.

Portanto, editores do Brasil, ao decidirmos o que publicar ou em que livro apostar, temos que considerar não só as recentes mudanças socioeconômicas que mostram uma classe C majoritária com 55,8% da população brasileira, conforme pesquisa do Centro de Políticas Sociais da FGV-Rio. Temos que também levar em conta a capacidade de leitura do nosso mercado e a dificuldade da grande maioria dos alfabetizados funcionalmente de ler obras mais complexas e intelectuais.

O Inaf está disponível para download e traz muitos outros dados não abordados aqui, especialmente análises específicas de segmentos populacionais por classe social, região e sexo. Vale a leitura.

CategoriasAnálise, Pesquisas
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 75 outros seguidores

%d bloggers like this: