Participe da Tarde Digital na FLIC
O que é?
Uma tarde especial na programação da Feira Literária Internacional Cristã com a realização de palestras e bate-papos sobre o livro digital e as mudanças tecnológicas que já estão afetando a indústria editorial cristã. Os palestrantes são profissionais de destaque no mercado editorial digital.
Quando
Quinta-feira, 6 de junho de 2013, das 13h30 às 18h
Onde
Feira Literária Internacional Cristã (FLIC)
Hall Nobre do Palácio de Convenções do Anhembi | Auditório 2
Av. Olavo Fontoura, 1209, São Paulo, SP
Investimento
R$ 39,90 até o dia 4/6
R$ 49,90 no local (se sobrar vagas!!!)
Inscrições
Diretamente no escritório da ASEC pelo e-mail financeiro@editorescristaos.org.br ou pelos telefones (11) 3105–9644 e (11) 5093–8776. Com a Sra. Leila Franco.
Organização: Associação de Editores Cristãos (ASEC) | Curadoria: Publishnews
PROGRAMAÇÃO
13h30: As tendências que nenhum editor cristão pode ignorar

Carlo Carrenho é especialista em mercado editorial digital. Estudou Editoração na Harvard University.
A indústria editorial vem passando por grandes mudanças que envolvem o surgimento de novas tecnologias, a chegada do livro digital, a democratização da publicação, a existência de um leitor com mais poder e a ruptura dos processos de curadoria editorial e de distribuição. E as tendências geradas por estas mudanças não podem mais ser ignoradas pelos editores cristãos sob pena de ficarem à margem do mercado e apartados de seu público.
Palestrante: Carlo Carrenho
Formado em Economia pela USP, Carlo Carrenho e especializou-se em Editoração no Radcliffe College, na Harvard University. Já possui quase 20 anos de experiência no mercado editorial, tendo passado por editoras cristãs como Mundo Cristão, United Press e Thomas Nelson Brasil. Em 2001, criou o PublishNews, informativo diário com todas as notícias do mercado editorial brasileiro e a lista de livros mais vendidos mais completa do país. Carrenho tem sido um ativo palestrante sobre temas editoriais não apenas no Brasil mas também em eventos internacionais como a Feira de Frankfurt, a Feira de Guadalajara e a Feira de Londres. Atualmente, Carrenho trabalha como consultor editorial com enfoque no mundo digital, coordena o curso Publishing Management da FGV-RJ e dirige o PublishNews.
Twitter: @carrenho | LinkedIn: br.linkedin.com/in/carrenho/pt
14h30: Os novos paradigmas de acesso ao conhecimento no contexto da realidade brasileira
As possibilidades de melhoria do acesso ao conhecimento e à informação que as novas tecnologias permitem são inúmeras. Mas qual seria o modelo mais adequado ao Brasil? É este o tema desta palestra, que enfocará a Nuvem de Livros, um modelo inovador de conteúdo em nuvem e licenciado, aliado a um modelo de preços acessíveis ao consumidor.
Palestrante: Roberto Bahiense
Roberto Bahiense de Castro já dirigiu importantes agências de publicidade e veículos de comunicação. Formou-se em Administração de Marketing pela Fundação João Pinheiro e pós-graduou-se na Columbia University. Ainda foi presidente da Associação Brasileira de Propaganda (ABP). Atualmente é o Diretor de Relações Institucionais do Grupo Gol, onde também coordena a Biblioteca on-line Nuvem de Livros.
[Intervalo]
16h: Soluções digitais na Educação: Bate-papo com Gabriela Dias
Editoras didáticas, sistemas de ensino, escolas e start-ups já vem desenvolvendo há alguns anos soluções digitais de educação. Embora, este mercado ainda esteja se iniciando e em uma fase de grande experimentação, já existem modelos e estudos de casos interessantes, além de histórias de sucesso e fracasso que podem ser bons sinalizadores. Neste bate-papo com Carlo Carrenho, a consultora Gabriela Dias vai apresentar um panorama do mercado educacional digital e contar um pouco do que dado certo e errado nesta área. Um dos enfoques da conversa será como editoras de materiais para Escola Dominical e Educação Cristã poderiam utilizar soluções digitais para criar produtos modernos, didáticos e atraentes para seus leitores.
Palestrante: Gabriela Dias
Gabriela Dias é formada em Editoração pela ECA-USP e participou do Yale Publishing Course. Transita desde 1996 entre o papel e o virtual, tendo passado pelas maiores editoras didáticas do país, tais como Moderna (Santillana), Ática (Abril) e Edições SM. Assina a coluna Cartas do Front no PublishNews, onde observa o mercado educacional no Brasil e no mundo. Atualmente, presta consultoria e realiza projetos nas áreas de educação e edição digital.
Twitter: @gabidias | LinkedIn: br.linkedin.com/in/gabidias
17h45: Oportunidades Digitais para Editores Cristãos
Como montar a melhor estratégia digital para sua editora? Quais os primeiros passos? Como fazer a conversão digital? Quais erros devem ser evitados? O que as lojas digitais oferecem hoje para os editores? Estes serão alguns dos temas que serão abordados nesta palestra, com um enfoque natural na Kobo, livraria digital canadense que se associou à Livraria Cultura no Brasil. A própria plataforma Kobo e seu modelo de negócios também serão abordados.
Palestrante: Camila Cabete
Camila Cabete tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ter sido a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Assina a coluna Ensaios Digitais no PublishNews, onde publica novidades e informações sobre o dia-a-dia digital. Atualmente, é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo.
Twitter: @camilacabete | LinkedIn: br.linkedin.com/pub/camila-cabete/23/698/8b0
PS: Após cada palestra, haverá espaço para perguntas e respostas dos participantes.
Ganhadora do Kindle
Parabéns @marcia_baliza, você ganhou o Kindle do PublishNews! A equipe entrará em contato com você via Twitter.
PublishNews sorteia Kindle entre seguidores do Twitter
O PublishNews está sorteando um leitor Kindle entre seus seguidores do Twitter. Para participar basta seguir o @PublishNews e fazer um tuíte respondendo qual livro você gostaria de ler no leitor digital da Amazon com a hashtag #KindleDoPublishNews. Os tuítes tem de ser feitos até o dia 19/3. O sorteio será no dia 20/3. O modelo é o mesmo que está à venda na Ponto Frio e na Livraria da Vila por R$ 299. O ganhador ser´comunicado por Twitter e nesta página.
Então, qual livro você quer ler no seu Kindle?
Participe e boa sorte!
Veja aqui os tuítes que estão concorrendo.
A lista de mais vendidos de 2012
Na última semana de 2012, publicamos nossa lista anual de livros mais vendidos. Como começamos a fazer a lista em setembro de 2010, o ano passado foi o segundo ano completo de nossas estatísticas semanais. Vale a pena, portanto, uma análise mais profunda da lista de 2012. Aliás, vale aqui lembrar que a Folha de S.Paulo publicou logo no dia 3/1 uma matéria sobre a presença de autores brasileiros nas listas de ficção e não-ficção totalmente baseada na lista do PublishNews. E, segundo o maior jornal brasileiro, “a aferição feita pelo PublishNews é considerada hoje pelas editoras a mais confiável do país”.
Em primeiro lugar, vamos aos campeões de cada categoria em 2012:
- Ficção: Cinquenta tons de cinza, E. L. James, Intrínseca
- Não-ficção: Nada a perder, Edir Macedo, Planeta
- Infanto-juvenil: Agapinho, Padre Marcelo, Globo
- Autoajuda: Nietzsche para estressados, Allan Percy, Sextante
- Negócios: O monge e o executivo, James Hunter, Sextante
O campeão da lista geral foi o best-seller mundial Cinquenta tons de cinza, seguido pelo segundo volume da série, Cinquenta tons mais escuros, e pela autobiografia de Edir Macedo, Nada a perder, que evitou um pódio completamente erótico ao empurrar o terceiro livro da coleção, Cinquenta tons de liberdade, para a quarta posição.
O ranking geral de editoras também traz alguns dados interessantes. O ranking baseia-se no total de títulos diferentes que as editoras tenham conseguido emplacar nas 52 listas semanais do ano, não importando o tempo de permanência dos mesmos. O ranking de 2012 ficou assim:
- Sextante, 64
- Record, 42
- Companhia das Letras, 30
- Intrínseca, 29
- Novo Conceito, 28
- LeYa, 27
- Ediouro, 25
- Santillana, 22
- Gente, 20
- Planeta, 18 | Saraiva, 18
Em comparação com 2011, a primeira e a segunda colocação se mantiveram, embora o número de livros emplacados tenha caído. No ano passado, a Sextante garantiu seu primeiro lugar com 73 títulos na lista, e a Record emplacou 59. Já nas demais posições houve mudanças. Ediouro e Companhia das Letras, por exemplo, trocaram posições. Se em 2011 a editora paulista ocupava a sétima posição, em 2012 ela chegou a um significativo terceiro lugar, em parte graças ao novo selo Paralela, que emplacou sozinho sete livros na lista. A Ediouro, por sua vez, apresentou uma forte de queda de livros na lista, saindo dos 44 emplacados em 2011 para apenas 25 este ano. Com isto, caiu da terceira para a sétima colocação.
Enquanto a Intrínseca manteve sua quarta posição com uma queda sutil no número de livros colocados na lista semanal, de 31 em 2011 para 29 em 2012, a Novo Conceito apresentou uma explosão no número de títulos que apareceram nas listas de semanais de 2012. Se em 2011, a editora ribeiropretana emplacou 13 títulos que lhe garantiram uma 12ª posição compartilhada no ranking anual, neste ano a empresa emplacou 28 títulos e subiu à quinta posição isolada.
Ainda merecem destaque a LeYa que, na sexta posição, também subiu dois degraus em relação ao ranking de 2011 quando emplacou apenas 21 livros; e a Santillana, grupo da Objetiva, que caiu da quinta para a oitava posição ao emplacar quatro livros a menos nas listas semanais de 2012.
No total, 523 títulos de 81 editoras ou grupos editoriais apareceram pelo menos um vez nas listas semanais de mais vendidos em 2012.
Voltando a lista de mais vendidos geral, se compararmos 2012 com 2011, veremos que o total de exemplares vendidos nas redes apuradas pelo PublishNews dos livros top 20 no ano passado foi 31% superior em relação ao ano anterior. Em 2011, o total de venda dos 20 maiores best-sellers foi de 1.935.868 exemplares contra 2.536.213 em 2012. Já o primeiro colocado de 2012, Cinquenta tons de cinza, superou a marca de exemplares vendidos do campeão de 2011. O megaseller Ágape vendeu nas 12 redes de livrarias apuradas 518.084 exemplares no ano retrasado, enquanto o atual megaseller erótico alcançou a marca de 583.768 exemplares no ano passado. Mas um detalhe: a marca de Ágape foi obtida ao longo dos 12 meses de 2011, enquanto Cinquenta tons de cinza foi lançado em agosto e teve apenas cinco meses para obter sua marca.
Como sempre se discute no mercado em qual lista é mais fácil emplacar um lançamento, é interessante observar o gráfico e abaixo. Ele traz uma curva para cada lista, apresentando os números apurados no ano para cada uma das 20 posições. É claro neste gráfico que a lista de ficção é a mais difícil para se emplacar livros, seguida pela de não-ficção e pela infanto-juvenil e, logo depois, das listas de autoajuda e de negócios. Vale notar, ainda, que a partir da sexta posição do ranking, as distâncias entre as curvas tende a diminuir bastante.
2012: Um ano de conquistas e mudanças para o PublishNews
O ano de 2012 começou sem Kindle, Kobo Touch, Google Play e iBooks, e acabou com Amazon, Kobo, Google e Apple vendendo e-books para brasileiros. O ano de 2012 começou com um livro de não-ficção e caráter político – Privataria Tucana – em primeiro lugar na lista de mais vendidos e termina com a trilogia erótica de Mr. Gray bombando em primeiro lugar, seguida de perto da autobiografia de Edir Macedo. E no PublishNews, o ano começou com um gerente de chapéu e uma editora meio italiana, e acabou com uma editora meio inglesa e com o chapéu indo parar em Frankfurt, mas não foi só isso!
Em retrospectiva, 2012 foi com certeza o melhor e mais agitado ano do PublishNews. Fomos media sponsors do Digital Book World e dos Tools of Change (TOC) de Nova Iorque, Buenos Aires e Frankfurt. Também apoiamos o Publishers Launch de Frankfurt. Marcamos presença nas Feiras de Buenos Aires, Londres, Abu Dhabi, Frankfurt e Guadalajara. Internacionalmente, consolidamos nossa newsletter em inglês, a PublishNews Brazil, e passamos a colaborar mais com nossos parceiros da Publishing Perspectives e outros veículos internacionais, como o buchreport. Promovemos o CEO Panel em Frankfurt, um dos eventos mais importantes da Feira, e ainda viramos papel na Alemanha! Isto mesmo, o PublishNews publicou duas edições da Reading Brazil, suplementos em papel e em inglês no Show Daily, o diário da Feira de Frankfurt. E com isso levamos o mundo a conhecer um pouco mais do Brasil.
Ah! E um belo dia o boa-praça do Andre Argolo, videorepórter de primeira, nos telefona e diz: “Vamos fazer a PublishNews TV?” E, sem pestanejar, ela nasceu, já entrevistando gente como Ziraldo, Mia Couto e Drauzio Varella. Valeu, André! Sem você, a PublishNews TV não existiria por que a gente mal sabe ligar e desligar um televisor.
Em 2012 começamos a investir em cursos e trouxemos o curso Publisher: o livro como negócio para São Paulo em parceria com a Art A2 e a Câmara Brasileira do Livro. A primeira turma terá a primeira aula no dia 8 de janeiro! Nosso twitter ultrapassou 10 mil seguidores e chega perto do nosso número de assinantes da newsletter! Além disso, a visitação no site PublishNews bombou e já tem média de 2.500 visitantes por dia!
Mas o ano que se encerra foi também um ano de mudanças, talvez tão radicais quanto a chegada dos e-books para o mercado editorial. Para começar perdemos nosso chapéu Panamá. O querido Ricardo Costa nos deixou para trilhar outros caminhos que acabaram levando à Feira de Frankfurt, onde ele pendurou o chapéu recentemente. A Cassia Carrenho, que já nos ajudava em tempo parcial, assumiu a posição, mas não o chapéu, do Ricardo com maestria (quer anunciar, fale com ela!). É importante esclarecer que a Cassia não é minha esposa, minha filha, nem minha dopperganger feminina, como o mercado já quis crer. Ela é minha irmã.
No lado editorial, perdemos a italianíssima editora Roberta Campassi, mas ganhamos a meio-inglesa Iona Teixeira Stevens. Iona é uma daquelas pessoas que consegue ser responsável, séria e comprometida ao mesmo tempo em que é bem-humorada, divertida e uma ótima companhia.
Mas chega de mudanças. A Luciana Melo, eternamente fiel, continuou nos ajudando como assistente de redação. Sem ela, o PublishNews não existiria. E, desde maio, eu estou focado no PublishNews, sem nenhuma posição executiva em outra empresa, apenas me dedicando a eventuais consultorias. Com isso, passei a literalmente morar na Urca, no Rio, e a trabalhar na Vila Madalena, em São Paulo, e a ponte aérea se entranhou na minha vida a ponto de eu ficar amigo do barista da sala VIP da Amex.
Outra novidade da equipe do PublishNews foi a chegada em novembro do Matheus Perez para cuidar da lista de mais vendidos e atuar como business developer em projetos não relacionados à redação. O Matheus vem resistindo bem.
E quero aqui deixar um SUPER OBRIGADO a toda equipe, incluindo nosso freelas Marla Cardoso, em Salvador, e Marcelo Barbão, em Buenos Aires. O PublishNews pode ter começado como uma banda de um homem só, mas hoje é um trabalho de equipe. Cassia, Luciana, Iona, Matheus, André, Marla e Marcelo, o PublishNews só existe graças a vocês.
Ufa! Que ano corrido, só de relatar cansa. Para nossa newsletter, 2012 se encerra hoje. Voltamos no dia 3 de janeiro para o 12º ano de nossa existência. E por falar nisso, já decidimos que tem de rolar outra festa na FLIP, no estilo da nossa festa de 10 anos. Faltam alguns detalhes como local e patrocínio de cerveja, mas se sobrevivemos ao lançamento simultâneo da Amazon, Google e Kobo, vamos tirar isto de letra.
Antes de desejar um Feliz Natal e próspero Ano Novo, quero ainda agradecer aos nossos anunciantes, cujo apoio e confiança é fundamental para nossa existência, e também aos nossos colunistas, que trazem um lado mais humano e mais próximo ao leitor no nosso site e newsletter. Muito obrigado!
E, finalmente, Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!
Até 3 de janeiro!
[Ah! A lista de mais vendidos será atualizada entre o Natal e Ano Novo, com o fechamento de nossa lista consolidada anual. Não perca!]
Português Público ouve PublishNews
Na última terça-feira, 30 de outubro, o jornal portugês Público publicou a matéria “Penguin+Random House = o maior grupo editorial do mundo”, assinada pela excelente jornalista Isabel Coutinho. Na matéria, pude, em nome do PublishNews, dar meus pitacos sobre a questão. Clique na imagem abaixo para baixar a matéria em PDF.
A fusão entre a Penguin e a Random House
Na última segunda-feira, 29/10. as megaempresas Bertelsmann e Pearson anunciaram a fusão de suas unidades de livros, a Random House e a Penguin, respectivamente. Segundo a pesquisa The Global Ranking of the Publishing Industry de 2012, elaborada pelo consultor austríaco Rüdiger Wischenbart, a Random House faturou US$ 2,26 bi em 2011, enquanto a Penguin faturou US$ 1,61 bi. Ainda que a Random House alemã não faça parte da fusão, a Penguin Random House será uma editora hercúlea com um faturamento anual na faixa dos US$ 4 bi, como a própria Publishers Weekly está prevendo. A nova empresa terá participação de 53% da Bertelsmann e 47% da Pearson. John Makinson, CEO da Penguin, será o presidente do conselho da Penguin Random House, enquanto o atual CEO da Random House, Markus Dohle, será o CEO da nova editora. Ainda falta passar muita água debaixo da ponte para que a fusão de fato se inicie e, mais água ainda, para que termine. As empresas esperam efetivar a fusão apenas no segundo semestre de 2013 – isto após aprovação de órgãos reguladores.
O mercado foi pego de surpresa, mas a verdade é que a indústria editorial já vem se consolidando faz tempo. O grande número de selos e editoras adquiridas pela própria Random House é a maior prova disso. E em algum momento uma fusão entre duas das Big Six – como são chamadas as seis maiores editoras dos EUA – tinha de acontecer. O que parece ter surpreendido mais o mercado foi o fato de que esta fusão tenha acontecido justamente entre a Penguim e a Random House, e não tenha envolvido empresas cujos grupos controladores não possuem tanto foco na indústria de livros, como a Harpercollins da News Corp ou a Simon & Schuster da CBS. Afinal ambas pareciam candidatas naturais a serem vendidas ou fundidas. Vale lembrar, no entanto, que segundo o Sunday Times do último domingo, a News Corp queria fazer uma oferta pela Penguin, e que recentemente a Harpercollins adquiriu a maior editora cristã dos EUA, a Thomas Nelson. Portanto, a News Corp parece ter mais interesse no mercado de livros do que muitos achavam.
Outro motivo para que esta fusão não seja uma surpresa é que ela faz todo o sentido do mundo sob uma análise global. Ambas as empresas já são fortes nos EUA e no Reino Unido, então não estaria aí a explicação para o interesse das empresas em juntar seus trapos. Mas quando se olha para os negócios globais da Penguin e da Random House, o casamento é perfeito. Além dos EUA e do Reino Unido, a Random House está presente na Austrália, Nova Zelândia, Canadá, África do Sul e Índia. E, mais importante ainda, é uma das maiores editoras em espanhol do mundo por meio da Random House Mondadori, com forte presença na Espanha e na América Latina espanhola. Já a Penguin também está presente nos mesmos países de língua inglesa, e sempre deu bastante importância ao mercado indiano onde su atuação é mais visível que a da Random House. Mas, mais importante que isso, é presença da Penguin na China e sua participação na Companhia das Letras no Brasil. Juntas, as duas empresas passam a uma posição extremamente forte ou de domínio nos mercados de língua inglesa fora dos EUA e Reino Unido, e a Penguin Random House já teria forte presença na América Espanhola, China e Brasil. Ou seja, do ponto de vista global, é um casamento perfeito.
Não é por acaso que o press release oficial da Bertelsmann traz a seguinte declaração do CEO e chairman Thomas Rabe: “Em primeiro lugar, a combinação da Random House e da Penguin fortalece significativamente a edição de livros, um de nossos principais negócios. Em segundo lugar, ela leva a transformação digital para uma escala ainda maior; e, terceiro, aumenta nossa presença nos mercados-alvo em crescimento do Brasil, Índia e China” [grifo nosso]. Ou seja, a fusão deu ao grupo alemão um atalho rápido para estes mercados já tão bem ocupados pela Penguin.
Já John Makinson, CEO da Penguin, lembrou no e-mail que enviou para todos os funcionários que a “nova empresa englobará todos os interesses da Penguin e da Random House nos idiomas inglês, espanhol e português” [grifo nosso]. Neste caso, seria a Penguin que daria o pulo do gato em espanhol, mesmo porque o próprio Makinson confessou não ter uma estratégia para a América Latina, mas apenas para o Brasil, em entrevista concedida exclusivamente ao PublishNews Brazil.
A consolidação parece então ter consequências maiores nos mercados internacionais em que as duas empresas atuam do que nos mercados domésticos dos EUA e Reino Unido, até porque ambas estão garantindo que manterão seus selos e suas culturas editoriais.
No Brasil, em particular, a Companhia das Letras sem dúvida sai muito fortalecida. Não apenas por ter entre seus sócios a editora mais poderosa do mundo, mas principalmente por ter um acesso privilegiado aos selos e catálogos da Penguin Random House. Por exemplo, assim como já existe o selo Penguin-Companhia das Letras, poderiam surgir outras combinações semelhantes com selos da atual Random House. Só imaginar um selo Alfred A. Knopf-Companhia das Letras, por exemplo, já daria água na boca nos apaixonados por literatura de alta qualidade. Mas a Random House ainda possui muitas outras opções entre seus mais de 50 selos, alguns deles bem mais comerciais. Mas será a maior proximidade ao catálogo destes selos que fará diferença positiva para a Companhia das Letras. É claro que a Random House continuará vendendo direitos para todas as editoras brasileiras e que não haverá nenhuma exclusividade com a Companhia das Letras. Mas também é óbvio que a Companhia ganha um acesso privilegiado às novidades e ao catálogo da Random House, além da óbvia preferência por parte do sócio estrangeiro. E esta será uma grande vantagem para a empresa fundada por Luiz Schwarcz. Uma vantagem que já deve estar tirando o sono da concorrência…





